As colisões estelares são eventos muito raros. Estima-se que ocorra uma a cada dez mil anos na Via Láctea, e somente a partir de 2008 surgiram as primeiras confirmações. No entanto, uma equipe de astrônomos do Departamento de Física e Astronomia do Calvin College fez uma previsão, antecipando a formação de uma nova vermelha como produto de uma colisão no sistema binário KIC 9832227, que poderá ser vista dentro de cinco anos, com margem de erro de sete meses.
A raridade das colisões estelares
As colisões galácticas são bastante comuns. Na verdade, podemos encontrar vários exemplos, e tudo indica que a Via Láctea e Andrômeda vão colidir dentro de cerca de 4 bilhões de anos. A colisão de buracos negros teve um momento de atenção especial após a confirmação da existência de ondas gravitacionais em fevereiro do ano passado.
Mas o que acontece com as colisões estelares? Para começar, elas ocorrem com frequência muito menor. Depois de investigar vários candidatos durante as últimas três décadas, os especialistas chegaram à conclusão de que, em 2008, o sistema binário V1309 Scorpii deu origem a uma nova vermelha após a colisão (ou 'união', como alguns preferem) de seus componentes principais. Prever uma colisão estelar é complicado... mas no Calvin College fizeram exatamente isso.
A previsão para KIC 9832227
Os responsáveis pelo novo estudo indicam que o sistema estelar KIC 9832227 possui propriedades que sugerem uma colisão estelar iminente, formando assim uma nova vermelha. KIC 9832227 é tecnicamente o que se identifica como binária de contato, e, se a previsão estiver correta, o evento já aconteceu, devido à distância de cerca de 1.800 anos-luz da Terra, e sua luz ainda não chegou até nós. Os astrônomos têm monitorado de perto o KIC 9832227 desde 2013 e, tomando como referência as informações obtidas de V1309 Scorpii, estão convencidos de que compartilharão o mesmo destino.
A melhor parte é que vamos poder ver isso sem instrumentos especiais (dependendo da região), e não será necessário esperar muito. A nova vermelha aparecerá em nosso céu durante o ano de 2022, com margem de erro de sete meses. Onde? Perto da constelação do Cisne. Apontem seus telescópios.