A ideia de uma cabeça falante no século XIX automaticamente nos faz pensar em histórias de terror ou circos, mas o que temos aqui hoje talvez seja um dos primeiros exemplos de conversão de texto em voz de forma mecanizada. Identificada como Euphonia, esta máquina utilizava uma tecnologia semelhante à dos pianos para imitar a voz humana, e com um operador suficientemente habilidoso podia mudar seu sotaque, ou cantar peças ao estilo de “God Save the Queen”.

Euphonia: a tenebrosa cabeça robótica do século XIX que transformava texto em voz
Euphonia

Os primeiros dados sobre a máquina Euphonia nos levam ao mês de dezembro, data aproximada de sua estreia no Musical Fund Hall. Lá ela capturou o interesse de diferentes figuras, entre as quais se destaca Joseph Henry, criador do relé elétrico que depois serviria como base para a tecnologia por trás do telégrafo. Naqueles anos, Henry também era uma espécie de “caçador de fraudes”, mas ao ver Euphonia funcionando em uma demonstração privada ele a qualificou de “invenção maravilhosa”, e viu um enorme potencial nela, começando pela possibilidade de duas Euphonias conectadas de forma remota, como uma espécie de super-telégrafo.

Como funcionava Euphonia?

Euphonia: a tenebrosa cabeça robótica do século XIX que transformava texto em voz
A “sensação científica da era”. A opinião do público em geral foi um pouco diferente...

Euphonia exigiu de seu inventor Joseph Faber 25 anos de pesquisa, e seu design final era baseado em um total de 16 ou 18 teclas (os registros variam) que controlavam os movimentos da mandíbula, da língua e dos lábios, enquanto o equivalente aos pulmões e à laringe eram um fole e um tubo feito de marfim.

O “sotaque” de Euphonia podia ser alterado com o giro de um parafuso ou a inserção de um pequeno tubo em seu “nariz”, um aspecto fundamental para que a máquina pudesse se expressar em outros idiomas. Ainda assim, essa maravilha da engenharia não teve o impacto que Faber esperava, e apenas as palavras de incentivo de Henry e outros personagens como P. T. Barnum o levaram a Londres para exibir sua criação na Sala Egípcia do Museu Britânico.

Apesar de interagir com o público e fazer coisas como cantar “God Save the Queen”, sua recepção foi muito pobre. As principais razões que se levantam são duas: Faber não era um grande “vendedor” de sua obra nem se preocupava muito com sua aparência, e a própria Euphonia teria sido uma das primeiras vítimas do Vale Inquietante.

Euphonia: a tenebrosa cabeça robótica do século XIX que transformava texto em voz
Só restam fotos muito deterioradas e ilustrações de Euphonia, quase desaparecida no tempo como seu criador, mas isso não impediu que servisse de inspiração para outras mentes

Porém, qualquer referência adicional sobre a capacidade verbal de Euphonia não pode ir além do anedótico pelo simples fato de que não existem gravações de sua voz, mas a documentação disponível e os nomes envolvidos parecem ser sólidos o suficiente para dizer que ela não era uma farsa. Faber morreu em algum ponto da década de sessenta do século XIX (aparentemente se suicidou), mas seu trabalho teve sequelas, entre elas deixar impressionado um tal Melville Bell… o pai de Alexander Graham Bell...

Fonte:

https://old.neoteo.com/escucha-grabaciones-sonoras-de-graham-bell-de-hace/