Em 22 de setembro, uma avaliação do HONOR Magic 8 Pro e do HONOR 600 Pro colocou os dois celulares diante de uma contradição incômoda: o hardware é forte o bastante para chamar atenção, mas a identidade visual parece recuar sempre que o iPhone entra na sala. A semelhança é mais direta no HONOR 600 Pro, enquanto o Magic 8 Pro recebe críticas sobretudo pelo MagicOS e pelo botão de IA.

Os números ajudam a entender por que a discussão importa. O Magic 8 Pro traz bateria de 7.100mAh e o 600 Pro, uma unidade de 7.000mAh. Na avaliação publicada nessa data, os dois ultrapassaram dois dias de uso normal. É um resultado observado em condições específicas de uso, não um ranking universal de autonomia.

O hardware é difícil de descartar

HONOR 600 Pro: câmera de 200MP e recursos de edição com IA

O HONOR Magic 8 Pro usa o Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5. Já o HONOR 600 Pro emprega o Snapdragon 8 Elite Gen 4, da geração anterior. Os dois lidaram confortavelmente com multitarefa e jogos exigentes na avaliação.

O Magic 8 Pro também chama atenção pela teleobjetiva de 200MP com zoom de 3,7x. No 600 Pro, demonstrações do aparelho destacam uma câmera principal de 200MP, recursos de edição com IA e um zoom declarado de até 120x. Essa diferença de números não equivale a uma comparação padronizada entre os dois sistemas de câmera, mas mostra a ambição da HONOR em categorias que costumam definir celulares premium.

Os dois modelos aparecem com classificações IP68/IP69K. A certificação indica resistência em condições específicas, e não transforma qualquer demonstração com água em um ensaio de laboratório. Ainda assim, somada às baterias de silício-carbono e aos chips Snapdragon, a proteção reforça a proposta de hardware parrudo.

Onde a semelhança com o iPhone aparece

HONOR 600 Pro e iPhone 17 Pro: comparação de design, câmeras, zoom e recursos

O HONOR 600 Pro é o aparelho mais diretamente associado ao iPhone 17 Pro. Seu módulo traseiro retangular e largo, a disposição de três câmeras e o acabamento laranja foram comparados ao desenho e à cor Cosmic Orange do celular da Apple. As diferenças físicas continuam visíveis, mas o conjunto não cria uma assinatura visual tão própria quanto o hardware poderia sugerir.

A crítica ao Magic 8 Pro segue outro caminho. O foco está no MagicOS, cuja central de configurações rápidas, transições, animações de abertura, organização de aplicativos, tela de configuração, relógios e papéis de parede foram descritos como semelhantes ao iOS.

O botão de IA reforça essa impressão nos dois aparelhos. Um toque pode acionar funções de inteligência artificial; dois toques abrem a câmera; dentro do aplicativo de câmera, o botão funciona como disparador e também controla o zoom com gestos de deslizar. É uma solução útil, mas a combinação de posição, comportamento e função lembra o Camera Control do iPhone.

Um vídeo de comparação coloca o HONOR 600 Pro e o iPhone 17 Pro lado a lado, incluindo diferenças externas, câmeras, zoom, bateria e uma demonstração informal de resistência à água. A comparação ajuda a separar aparência e construção: os aparelhos podem parecer próximos por fora e seguir caminhos bem diferentes por dentro.

Parecido não significa cópia de tudo

A crítica faz mais sentido quando trata do efeito acumulado de várias escolhas — interface, controles, cores e módulo de câmeras — do que quando tenta atribuir a origem de cada recurso à Apple.

A própria cronologia complica uma acusação ampla. A HONOR Magic Capsule foi lançada em 2019, três anos antes de a Dynamic Island aparecer no iPhone 14 Pro. Portanto, a história não é uma via de mão única em que toda solução visual da HONOR teria vindo da Apple.

Isso não elimina a sensação de familiaridade nos modelos atuais. Apenas mantém a análise no terreno que a evidência sustenta: há semelhanças visuais e comportamentais suficientes para alimentar a crítica, mas não uma demonstração de que a HONOR tenha copiado deliberadamente o design da Apple.

O problema de identidade também é estratégico

Para uma marca que quer disputar espaço no segmento premium, parecer familiar demais pode enfraquecer justamente o argumento mais forte: a capacidade de criar alternativas próprias. A HONOR já apresentou direções mais incomuns, como o HONOR ROBOT PHONE, proposto como um dispositivo de inteligência artificial, robótica e imagem dentro do ALPHA PLAN, além do HONOR V Purse.

O ROBOT PHONE foi apresentado como conceito e associado a atualizações planejadas para a MWC 2026. Ele aponta para uma ambição mais autoral, mas não representa um produto comercial com especificações finais ou disponibilidade ampla. A distância entre essa visão e um celular que remete ao iPhone é o ponto estratégico da discussão: a HONOR parece capaz de experimentar, mas nem sempre transforma essa capacidade em uma identidade consistente na linha principal.

Outra demonstração do HONOR 600 Pro concentra-se justamente no que o aparelho faz além da aparência. Ela apresenta a câmera de 200MP, o recurso AI Image to Video, o Moving Photo Eraser e o AI Photo Agent, que aceita comandos de voz para editar fotos. O pacote dá substância à proposta do aparelho — mesmo quando o desenho provoca um déjà-vu.

O que muda entre os dois celulares

ModeloBateria declaradaAutonomia observada em uso normalProcessadorCâmera destacadaPrincipal ponto de identidade criticado
HONOR Magic 8 Pro7.100mAhMais de dois diasQualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5Teleobjetiva de 200MP com zoom de 3,7xMagicOS e botão de IA semelhantes a soluções do iPhone
HONOR 600 Pro7.000mAhMais de dois diasQualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 4Câmera principal de 200MPMódulo de câmeras, acabamento laranja, botão lateral e elementos do MagicOS comparados ao iPhone 17 Pro

No fim, a escolha entre os dois não passa apenas por bateria, câmera ou desempenho. O HONOR Magic 8 Pro e o HONOR 600 Pro têm argumentos técnicos concretos, mas o 600 Pro é o caso mais evidente de como um celular pode entregar bastante engenharia e, ao mesmo tempo, parecer estar procurando sua própria assinatura.