Depois do telefone de linha e do teste de gravidez, do inferno de batatas podres, da câmera digital e do Game & Watch, o que vem agora para o Doomguy e as forças do inferno? Basicamente, jogar Doom no BIOS de um computador. Isso é possível graças à mágica do Coreboot, substituto open source para muitos BIOS e UEFI proprietários do mercado e, além das restrições naturais dessa plataforma, nos surpreende que isso não tenha acontecido antes…
O Coreboot é um projeto que começou em 1999 e, desde então, se concentrou em oferecer uma alternativa open source para os BIOS/UEFI de placas-mãe, laptops e outros sistemas embarcados. Uma das vantagens do Coreboot é sua resistência ao bricking (que, infelizmente, continua sendo bastante comum na hora de atualizar um BIOS/UEFI tradicional), e algumas empresas já o estão instalando em seus produtos.
Outra característica do Coreboot é que ele trabalha com o conceito de payloads: primeiro inicializa o hardware e depois cede o controle a outro elemento. Alguns payloads populares são SeaBIOS (adotado pelo QEMU) e TianoCore, mas faltava uma peça no quebra-cabeça: usar um desses payloads para jogar Doom no BIOS.
Jogar Doom no BIOS como payload do Coreboot
Como isso é possível? O estudante canadense Nicholas Chin explica no GitHub. Seu projeto "coreDOOM" se baseia em um port do doomgeneric, que reduz e simplifica a criação de ports para Doom a poucas funções. A ideia surgiu depois de uma mensagem no servidor Discord do Coreboot, em que alguém mencionou que o Barebox (um bootloader projetado para sistemas embarcados) tem uma versão própria de Doom chamada bareDOOM, mas o Coreboot não. Tudo o que o coreDOOM faz é corrigir essa situação.
Quais limitações? Todas as que você puder imaginar e mais. Em primeiro lugar, o Coreboot é compatível com uma lista reduzida de hardware, e sua instalação não é nada simples (na verdade, a página oficial recomenda ao usuário final adquirir um equipamento com Coreboot pré-instalado). Ao mesmo tempo, o coreDOOM não permite a seleção de WADs, pois trabalha com o WAD integrado/hardcoded no doomgeneric, funciona apenas com teclados PS/2, não tem som (o doomgeneric também não oferece suporte), não é possível salvar jogos por causa do perfil somente leitura, e, ao sair do jogo, o computador trava.
Talvez por todos esses motivos é que não conseguimos encontrar uma única imagem ou vídeo do coreDOOM em ação, mas sabemos que é questão de tempo, e com isso surge uma nova dúvida: será que ainda existe alguma plataforma em que Doom não tenha sido instalado…?
Site oficial: Clique aqui
Fonte: Phoronix