Precisa de um servidor com privilégios de administração, barato e sem muitas perguntas? De acordo com a Kaspersky, isso custará apenas seis dólares – e estamos falando de um servidor governamental dentro da União Europeia. Essa “venda de servidores” apareceu em um fórum de comércio eletrônico chamado xDedic, administrado por um grupo de hackers russos, e a oferta ultrapassa os 70 mil servidores, distribuídos em mais de 170 países.
O lado obscuro do hacking
Enquanto o “hacking” como linha legítima de pesquisa e desenvolvimento em segurança da informação ganha relevância por meio de conferências, convenções e torneios abertos, também avança o hacking malicioso, focado quase exclusivamente em obter dinheiro, não importa de que lugar do mundo venha. Infelizmente, ainda há muita gente que não faz um bom trabalho protegendo seus servidores, e esse simples “espaço” na internet se transforma em um produto com preço específico, que pode ser usado da forma que seu novo “dono nas sombras” desejar. Isso pode parecer um roteiro muito ruim de um filme de Hollywood, mas a Kaspersky nos adverte que é real e que está acontecendo agora.
O mercado xDedic
O último estudo publicado pela empresa se concentra no mercado xDedic, um obscuro fórum de compra e venda que, nos últimos dois anos, distribuiu credenciais para centenas de milhares de servidores comprometidos. Tudo indica que xDedic é administrado por um grupo de hackers russos, que se encarrega de manter atualizado até o último detalhe da lista de servidores à venda. As estatísticas da Kaspersky revelam que a atividade do xDedic disparou em junho de 2015 e atingiu um pico histórico em maio de 2016, com mais de 70 mil servidores disponíveis. Em proporção, a quantidade de vendedores é relativamente pequena (416 ativos).
O Top 10 dos países com servidores comprometidos
Uma das opções do xDedic é a filtragem de servidores por país, e isso permitiu que a Kaspersky obtivesse dados específicos. Na última visita (mais uma vez, em maio de 2016), foram detectados 173 países com servidores afetados, e o “Top 10” representa 49% do total. De maior a menor: Brasil (6.540), China (5.023), Rússia (4.020), Índia (3.488), Espanha (3.155), Itália (3.119), França (2.474), Austrália (2.448), África do Sul (2.438) e Malásia (2.140).