A Meta detalhou como conectou e construiu Prometheus, seu cluster de inteligência artificial em New Albany, Ohio: uma rede Ethernet que reúne as conexões dos vários edifícios e estruturas semelhantes a tendas para acelerar a construção. Santosh Janardhan, responsável pela infraestrutura global da empresa, apresentou essas escolhas na cúpula do Open Compute Project (OCP), em San Jose, em 12 de outubro de 2026, conforme a reportagem de Linda Hardesty.
Prometheus foi projetado para entregar 1 GW de capacidade quando estiver concluído, segundo a descrição técnica publicada pela Meta em 9 de fevereiro de 2026. Na apresentação de outubro, Janardhan descreveu um campus com mais de 30 estruturas, dezenas de milhares de GPUs e aproximadamente 3 a 4 milhões de quilômetros de fibra de rede, relatou Hardesty.
A escala chama a atenção, mas a questão de engenharia é mais interessante: como fazer GPUs espalhadas por vários edifícios trabalharem juntas sem transformar a comunicação em um gargalo?
A rede que conecta os edifícios de Prometheus
Janardhan descreveu uma camada superior de interconexão Ethernet, chamada de super spine, que agrega localmente as redes dos edifícios de uma região. Sua explicação parte de um problema do treinamento de IA: o avanço do trabalho pode ficar limitado pela comunicação mais lenta entre duas GPUs.
Pense nas redes de cada edifício como conjuntos de vias internas. Aumentar o número de máquinas exige também ligações capazes de levar o tráfego de um conjunto ao outro. É nessa interconexão que entra a BAG, sigla de backend aggregation, a camada de agregação descrita pela Meta.
A BAG conecta as malhas de rede regionais de nível L2 e as integra ao backbone, a rede principal da empresa. Nesse desenho, L2 identifica um nível da arquitetura de interconexão. A Meta apresenta uma capacidade entre camadas BAG de 16 a 48 petabits por segundo por par de regiões. O número descreve essa interconexão regional; seu sujeito é a rede, e não uma GPU individual.
Gerenciamento e tolerância a falhas
A Meta descreve duas formas de conectar camadas BAG. As conexões planares simplificam o gerenciamento, mas concentram possíveis domínios de falha — conjuntos de componentes que podem ser afetados por um mesmo problema. As conexões distribuídas, chamadas de spread, ampliam a diversidade de caminhos e a resiliência.
Essa diferença importa quando um componente falha. Ter mais rotas possíveis dá à arquitetura alternativas de comunicação; concentrar as conexões facilita a administração, mas também concentra os pontos que podem sofrer um impacto em comum. A escolha envolve a organização dos caminhos, além da capacidade dos links.
O projeto também prevê roteamento com eBGP, protocolo usado para trocar informações de rotas, e atributos de largura de banda para distribuir tráfego por caminhos de capacidades diferentes, técnica conhecida como UCMP. Nos enlaces entre camadas BAG, a Meta usa MACsec para proteger o tráfego Ethernet.
A capacidade local e a capacidade de saída
Outro detalhe menos vistoso, mas importante, é a sobressubscrição: a relação entre a capacidade agregada de uma camada e a capacidade dos enlaces que a conectam à seguinte. A Meta informa uma relação típica de aproximadamente 4,5:1 entre L2 e BAG. Isso representa cerca de 4,5 unidades de capacidade no lado L2 para cada unidade disponível na ligação à BAG.
A configuração NSF ilustrada pela empresa tem uma relação efetiva de 4,98:1. É um exemplo específico dentro do desenho, enquanto 4,5:1 é o valor típico apresentado para a ligação L2–BAG. Essa arquitetura dimensiona a comunicação entre conjuntos de máquinas sem provisionar uma saída equivalente à soma de toda a capacidade local.
Para sustentar essas conexões, a Meta descreve chassis modulares com placas baseadas em ASICs Jericho3 — chips especializados em processamento de rede — e até 432 portas de 800 Gb/s por placa.
As plataformas apresentadas pela Meta em 2025
Uma apresentação técnica anterior ajuda a entender as peças que compõem esse tipo de cluster. No vídeo publicado pelo OCP em 22 de outubro de 2025, Maggie Han e Abhinav Triguna, gerentes de programas técnicos da Meta, explicaram plataformas de aceleradores, armazenamento, computação e rede relacionadas a Prometheus.
Maggie Han apresentou Clemente, plataforma com NVIDIA GB300 e 72 GPUs por rack. Também descreveu Catalina, com NVIDIA GB200: dois racks de 36 GPUs conectados entre si, formando uma configuração de 36 × 2. São arranjos de plataformas diferentes apresentados naquela palestra.
O armazenamento tinha funções distintas. Han identificou Grand Canyon como plataforma baseada em discos rígidos para grandes volumes de dados; Olympic e Yosemite V3.5 Crater Lake como opções de armazenamento flash. Para computação de propósito geral, apresentou Yosemite V3.5 Halfdome e Yosemite V4. O cluster, portanto, envolve mais do que racks de aceleradores: inclui sistemas para armazenar dados e executar outras tarefas de computação.
Na parte de rede, Abhinav Triguna descreveu as malhas desagregadas com agendamento, ou DSF, baseadas em Broadcom Jericho 3 AI e Ramone 3, e as malhas sem agendamento, ou NSF, com switches Minipack 3 de 400 GbE. Ele também apontou a necessidade de estratégias de reposição de hardware e flexibilidade para acomodar diferentes gerações de aceleradores em clusters dessa escala.
Tendas e concreto desenvolvido com auxílio de IA
A apresentação de outubro de 2026 também tratou do ritmo da construção. Segundo Janardhan, nas declarações relatadas por Linda Hardesty, as estruturas semelhantes a tendas de Prometheus têm comprimento equivalente a pelo menos dois campos de futebol americano, podem ser construídas em meses em vez de anos e são classificadas para resistir a um furacão de categoria 1.
O ganho de prazo descrito pelo executivo está na construção dessas estruturas. É uma escolha física que acompanha a arquitetura de rede: conectar muitos edifícios exige também conseguir erguê-los.
Janardhan afirmou ainda que uma ferramenta de IA da Meta ajudou a formular um concreto com 19% menos carbono, cura 43% mais rápida e sem aumento de custo, conforme a reportagem de Hardesty. Ele atribuiu os resultados ao trabalho da empresa com formulação de concreto.
Como funciona o BOxCrete
A Meta explicou o processo em sua publicação sobre concreto assistido por IA, de 30 de março de 2026. O BOxCrete, sigla de Bayesian Optimization for Concrete, usa otimização bayesiana: um método que aproveita resultados anteriores para orientar a escolha dos próximos experimentos.
Na prática, o modelo combina dados históricos e restrições para propor misturas. Os resultados de laboratório alimentam uma nova rodada de propostas, criando um ciclo de experimentação e ajuste. A IA ajuda a escolher o que testar; a Meta mantém no processo a validação em laboratório, os testes de campo, a aprovação dos engenheiros e o cumprimento das normas de construção.
O exemplo de aplicação descrito nessa publicação fica em Rosemount, Minnesota. Segundo a Meta, uma mistura usada na laje de um edifício de data center atingiu a resistência estrutural total 43% mais rapidamente que a fórmula original e reduziu o risco de fissuração em quase 10%. Essas métricas pertencem à laje de Rosemount e medem resistência estrutural e risco de fissuras.
Hyperion: o projeto da Meta na Louisiana
Janardhan também apresentou Hyperion, planejado para Richland Parish, na Louisiana. Na mesma reportagem da cúpula, Linda Hardesty relatou a descrição do executivo de um cluster de 5 GW, ocupando aproximadamente 1.620 hectares.
| Projeto | Localização | Capacidade declarada |
| Prometheus | New Albany, Ohio, Estados Unidos | 1 GW quando concluído, segundo a Meta |
| Hyperion | Richland Parish, Louisiana, Estados Unidos | 5 GW previstos, segundo a descrição de Santosh Janardhan na cúpula da OCP |
Ao descrever Hyperion como o maior data center do planeta, Janardhan qualificou a afirmação como válida até onde sabia.