O Midnight Mimosa foi encontrado no firmware de alguns celulares Android baratos e multimarca com plataformas MediaTek, segundo a Bitdefender. Como o componente persistente fica no sistema, desinstalar um aplicativo pelo caminho normal não o remove. A empresa cita limpeza do firmware ou desativação via ADB, alternativas pouco realistas para a maioria dos proprietários afetados.
O malware já estava instalado antes do primeiro uso
A Bitdefender relata que o componente vinha pré-instalado no firmware e podia estar no aparelho antes de o dono ligá-lo pela primeira vez. A campanha foi observada em milhares de dispositivos únicos em mais de 150 países, ao longo de aproximadamente dois anos.
O relato se refere a alguns celulares Android de baixo custo, multimarca e baseados em plataformas MediaTek. Não significa que todo aparelho barato esteja afetado. A Bitdefender associa os nomes de modelo “S200 X”, da Doogee, e “KINGKONG X”, da Cubot, a dispositivos que apareceram na telemetria da campanha; esses nomes, por si só, não identificam todos os aparelhos como infectados.
O que o Midnight Mimosa pode fazer
Segundo a análise técnica da Bitdefender, o componente pode instalar e remover aplicativos silenciosamente, conceder permissões e carregar código recebido remotamente. A equipe também relata fraude oculta de anúncios e cliques e o uso de aparelhos como pontos de retransmissão de proxy residencial.
A Bitdefender descreve uma família rotativa de pelo menos 32 aplicativos disfarçados. Antes de instalar um deles, o malware desativa o aplicativo da Play Store e depois o reativa. A análise interpreta essa sequência como uma tentativa de evitar a detecção pelo Play Protect.
Essas capacidades não significam que todos os aparelhos afetados tenham realizado todas as atividades. Durante a análise, a Bitdefender não observou em uso algumas permissões de Acessibilidade, notificações e SMS que estavam disponíveis ao operador.
Por que desinstalar o aplicativo não basta
O componente persistente fica na partição do sistema, de acordo com a Bitdefender. Por isso, removê-lo como se fosse um aplicativo comum não elimina a parte instalada no firmware. A empresa cita duas opções técnicas: limpar o firmware ou desativar o componente por ADB, a ferramenta de depuração do Android. Ela considera essas alternativas impraticáveis para a maioria dos proprietários afetados.
Para quem suspeita que um celular esteja comprometido, a distinção é importante: apagar um aplicativo visível não equivale a remover um componente persistente do sistema. As opções descritas pela Bitdefender exigem uma intervenção técnica no firmware ou o uso do ADB.