Em 19 de outubro de 2026, o Departamento de Estado dos EUA designou cinco entidades chinesas sob a Protecting American Intellectual Property Act (PAIPA), lei americana de proteção à propriedade intelectual. A medida administrativa cita roubo de segredos comerciais e aciona restrições sobre bens, transações, empréstimos, operações bancárias e investimentos. A OFAC, agência do Tesouro dos EUA responsável por sanções, também autorizou um período limitado para encerrar certas operações.

Quem são as cinco entidades

O Departamento de Estado relacionou as designações a uma rede de financiamento, gestão de fundos e propriedade ligada à MiraclePlus. Segundo o órgão, a empresa de capital de risco forneceu investimento inicial à Zhisuan em troca de participação societária, administra os fundos Phase I e Phase II, e o Phase I é dono integral da Zhiyuan Enterprise.

Entidade designadaRelação descrita pelo Departamento de Estado
Shanghai Zhisuan Technology Co LtdFundada por Linwei Ding em 2023. A MiraclePlus forneceu capital inicial à empresa em troca de participação societária.
Qiji Chuangtan Beijing Investment Management Co Ltd (MiraclePlus)Empresa de capital de risco que investiu na Zhisuan e administra os fundos Phase I e Phase II.
Beijing Qiji Chuangtan Phase I Venture Capital Center Limited PartnershipFundo administrado pela MiraclePlus e proprietário integral da Zhiyuan Enterprise.
Beijing Qiji Chuangtan Phase II Venture Capital Center Limited PartnershipFundo administrado pela MiraclePlus.
Beijing Qiji Chuangtan Zhiyuan Enterprise Management Center Limited PartnershipPertence integralmente ao Phase I.

O Departamento de Estado afirmou que a Zhisuan foi apresentada como capaz de reproduzir a infraestrutura de superinteligência do Google. O órgão classificou a empresa como tendo participado conscientemente de, ou se beneficiado de, roubo significativo de segredos comerciais de pessoas dos EUA. Também afirmou que a MiraclePlus prestou apoio significativo e que as outras três entidades eram controladas por ela ou atuavam em seu nome. Essas foram as justificativas administrativas para as designações, anunciadas pelo Departamento de Estado.

O que as sanções restringem

A OFAC incluiu as cinco entidades na lista Non-SDN Menu-Based Sanctions. As medidas previstas pela PAIPA alcançam bens, transações, crédito, câmbio, operações bancárias e investimentos sujeitos à jurisdição dos EUA.

MedidaAlcance e condição
Bloqueio de bensBens e interesses patrimoniais das entidades são bloqueados. Transações com elas são proibidas, com exceção da importação de mercadorias.
Empréstimos e créditosInstituições financeiras dos EUA não podem conceder a cada entidade empréstimos ou créditos que totalizem mais de US$ 10 milhões em qualquer período de 12 meses, ressalvada a exceção prevista na PAIPA.
CâmbioSão proibidas transações cambiais sujeitas à jurisdição dos EUA nas quais uma entidade tenha interesse.
Operações bancáriasSão proibidas transferências de crédito e pagamentos sujeitos à jurisdição dos EUA que envolvam interesses das entidades.
InvestimentosPessoas dos EUA não podem investir em, ou comprar, quantidades significativas de ações ou títulos de dívida das entidades.

O aviso da OFAC detalha essas restrições e as disposições da PAIPA aplicadas. Na prática, os efeitos dependem da ligação da operação com as entidades designadas e da jurisdição dos EUA; o limite de crédito, por exemplo, se refere ao total por entidade em cada período de 12 meses.

A licença para encerrar certas operações

A General License No. 2 da OFAC permite transações específicas necessárias ao encerramento de operações envolvendo a MiraclePlus, os fundos Phase I e Phase II, a Zhiyuan Enterprise e entidades que sejam pelo menos 50% de propriedade de uma ou mais dessas organizações. A autorização vale até 19 de janeiro de 2027, às 00h01, no horário do leste dos EUA. Pagamentos a pessoas bloqueadas devem ser depositados em uma conta bloqueada nos Estados Unidos. A licença não libera outras transações proibidas; ela autoriza apenas as operações de encerramento descritas em suas condições. A licença da OFAC especifica o escopo e o prazo.

O processo criminal de Linwei Ding

A designação das cinco entidades é uma medida administrativa; o processo criminal tratou de Linwei Ding, ex-engenheiro do Google. Em 29 de janeiro de 2026, um júri federal o condenou por sete acusações de roubo de segredos comerciais e sete de espionagem econômica, conforme informou o Departamento de Justiça dos EUA em comunicado publicado no dia seguinte. O órgão disse que as informações envolviam hardware e software usados para treinar e operar grandes modelos de IA, incluindo sistemas TPU e GPU e tecnologia SmartNIC.

Em reportagem publicada em 20 de outubro de 2026, a South China Morning Post informou que um juiz posteriormente absolveu Ding das sete acusações de espionagem econômica e que as condenações por roubo de segredos comerciais permaneceram. A reportagem não informou a data dessa decisão. O processo de Ding diz respeito à responsabilidade criminal individual dele, não a uma condenação criminal das cinco entidades designadas.