Se você tem percorrido fóruns especializados e canais de YouTube dedicados a hardware nas últimas semanas, provavelmente notou que o tema da VRAM (ou memória de vídeo) está sendo debatido com certa intensidade. Falta de otimização nos jogos mais recentes, concorrência entre fabricantes e preços fora de controle são os principais pontos de referência, mas muitos usuários por aí só querem saber como aumentar a VRAM do seu PC. Há coisas que funcionam, coisas que não, e alguns casos extremos que merecem nossa atenção…

Mitos e verdades na hora de aumentar a VRAM no seu PC
aumentar a VRAM

Por que queremos mais VRAM em nossos computadores?

Pela mesma razão que queremos RAM convencional: para melhorar o desempenho e evitar aspectos como a paginação. Os jogadores estão detectando a falta de VRAM agora mais do que nunca, cortesia dos últimos títulos “triple A”. À medida que aumentamos a resolução, a qualidade das texturas e outros efeitos adicionais (ex., ray tracing), os requisitos de VRAM aumentam. Uma das piores coisas que podem acontecer ao usuário é “cair da VRAM”, e ser obrigado a armazenar recursos fora dela, provocando efeitos negativos como o stuttering, ou o chamado “pop-in” de texturas em alguns jogos.

Mitos e verdades na hora de aumentar a VRAM no seu PC
Uma GeForce GTX 1660 Super com 6 GB de VRAM. Para alguns títulos modernos, já não é suficiente.

Também devemos considerar a situação dos gráficos integrados, que tomam uma parte da RAM convencional para suas funções. Essa não é uma configuração ideal pelo simples fato de que a memória do sistema é mais lenta, e a porção utilizada fica reservada. No entanto, esses módulos gráficos devem trabalhar com alguma memória, independentemente de sua velocidade. Dito isso, como se pode aumentar a VRAM em um computador? A resposta é mais complexa do que parece.

Opção válida: Aumentar a VRAM reservada para iGPUs no BIOS/UEFI

O usuário tem a possibilidade de forçar/reconfigurar a quantidade de VRAM para seus gráficos integrados, embora isso dependa do fabricante de hardware, da quantidade de memória RAM disponível no equipamento, do tipo de BIOS/UEFI instalado, ou uma combinação desses fatores. Em um mundo perfeito, essa opção deveria ficar em Auto para que o sistema e os aplicativos tomem exatamente o que precisam… mas não vivemos em um mundo perfeito. Alguns jogos detestam o modo automático, e expressam seu desagrado com perdas de desempenho ou erros de “VRAM insuficiente”.

Mitos e verdades na hora de aumentar a VRAM no seu PC
Algumas configurações permitem reservar um máximo de 16 gigabytes para o vídeo integrado (gradinaruvasile no Reddit)

A opção exata no BIOS/UEFI tem nomes diferentes. Alguns fabricantes a chamam de VGA Share Memory Size, e outros UMA Frame Buffer Size. O objetivo é o mesmo: Selecionar um novo valor de memória alocada para o vídeo. Agora, isso não é nenhuma bala de prata. Forçar a quantidade de VRAM no BIOS/UEFI é um parâmetro de compatibilidade. De nenhuma forma garante FPS extras, e como mencionamos acima, a memória extra não estará disponível para o sistema porque ficará “reservada”. É preciso experimentar muito aqui.

A opção viral que não funciona: O hack de Registro

Uma rápida pesquisa no Google sobre como aumentar a VRAM em qualquer PC apresentará dezenas de resultados com essa opção. Ao que parece, o usuário deve abrir o Editor de Registro, entrar na rota HKEY_LOCAL_MACHINE\SOFTWARE\Intel, criar uma nova chave em seu interior chamada GMM, e dentro dessa mesma chave, criar um valor DWORD de 32 bits chamado DedicatedSegmentSize. O último passo é atribuir um valor decimal entre 0 e 512 (ou 4096 segundo outras fontes), e reiniciar o equipamento.

Mitos e verdades na hora de aumentar a VRAM no seu PC
Provavelmente você vai acabar decepcionado, mas se quiser tentar...

Em primeiro lugar, a cadeia claramente especifica que este é um ajuste orientado a chips gráficos Intel. E em segundo lugar, os relatos sugerem que DedicatedSegmentSize não faz nada porque se trata de uma “falsificação”, uma forma de manipular o relatório de VRAM disponível para solucionar problemas de compatibilidade. Compartilhamos esse método por uma questão educativa, mas não espere milagres.

O caminho do dinheiro: Comprar uma placa de vídeo

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Seja nova ou usada, uma placa dedicada resolve o problema na raiz

*slow clap*... sim, jogar dinheiro na falta de VRAM é o mais óbvio, mas não podemos negar sua eficácia. Ao instalar uma nova placa gráfica (que deve ser superior à opção integrada), não só incorporamos VRAM dedicada ao equipamento, mas também desativamos todo o sistema de reserva, liberando a RAM convencional por completo (salvo se o usuário decidir forçar o iGPU de qualquer forma, mas essa é outra história). Obviamente, este não é um caminho que possa ser seguido por um laptop, e é provável que outras configurações também exijam uma atualização da fonte de alimentação.

O novo extremo: Modding

Um dos exemplos que citamos em nossa exploração do Videocard Virtual Museum foi a placa gráfica Matrox G200, que permitia ao usuário expandir sua VRAM com um módulo externo. Como você pode imaginar, nem Nvidia, nem AMD, nem Intel permitem esse processo, mas alguns modders por aí decidiram desafiar as regras, com resultados muito positivos. Em essência, esses experimentos confirmam o que já suspeitávamos: Os fabricantes usam as configurações de VRAM em seus produtos como barreiras para segmentar preços e limitar o desempenho.