As baterias de íons de lítio e os usuários mantêm uma relação de amor e ódio muito profunda. Precisamos dessas baterias para fazer funcionar nossos dispositivos móveis e carros elétricos, mas ao mesmo tempo reclamamos de aspectos como sua tendência à instabilidade. Felizmente, um dos inventores da bateria de íons de lítio, o professor John Bannister Goodenough, apresentou junto a um grupo de colegas uma nova tecnologia de estado sólido que poderia dar origem a baterias muito mais seguras, com três vezes a densidade energética dos designs atuais.
Fabricadas corretamente, as baterias de íons de lítio são relativamente estáveis. Os problemas começam quando começamos a exigir cada vez mais delas, desafiamos tolerâncias e tentamos restaurar sua carga em maior velocidade. O design básico permanece intacto: ânodo, cátodo e eletrólito. Em processos de carga e descarga muito agressivos, a bateria desenvolve dendritos que se expandem através do eletrólito, o que leva a um curto-circuito em seu interior, com possibilidade de incêndio (e até explosão). Uma solução potencial para isso está no conceito de bateria de estado sólido, que em essência substitui o eletrólito líquido por uma alternativa sólida.
Uma equipe de engenheiros que tem como membro John Goodenough, um dos "pais" das baterias de íons de lítio, acaba de apresentar uma nova tecnologia de estado sólido que poderia mudar drasticamente o desempenho das baterias no futuro. A chave por trás deste desenvolvimento é o uso de um eletrólito de vidro. Isso se traduz em menor custo, maior densidade energética (até três vezes a de seu equivalente Li-Ion) graças ao uso de um ânodo feito de metal alcalino, tempos de recarga aceitáveis, melhor segurança (já que não é combustível) e a possibilidade de operar em ambientes mais extremos, com temperaturas mínimas de -20 graus Celsius.
Goodenough, com 94 anos de idade, foi apresentado como parte da equipe, mas a pesquisa em si ficou a cargo de María Helena Braga, do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Texas. Braga destacou o baixo custo dessa tecnologia, devido à possibilidade de utilizar em maior medida o sódio. A melhor parte é que não são os únicos trabalhando nisso. O pesquisador Masahiro Tatsumisago, da Universidade de Osaka, também explorou o uso do vidro como eletrólito, e uma colaboração entre a Samsung e o MIT vai na mesma direção.