Um ataque ao nosso computador pode começar com algo tão simples quanto ignorar o endereço URL da página que estamos visitando. Se esse endereço era, na verdade, um link dentro de um arquivo PDF ou um e-mail, pode nos levar a portais especialmente preparados para roubar credenciais via phishing, e nas últimas semanas foi detectada uma campanha focada nos usuários do Gmail. Uma pequena sutileza na barra de endereços e um bom uso de elementos como cabeçalhos e anexos permitiu a essa campanha alcançar um nível de eficácia que surpreende novatos e especialistas igualmente.
Perder nossas credenciais para um elemento malicioso é uma das piores coisas que podem acontecer. O risco é muito maior do que calculamos, pois não é apenas um serviço comprometido. Tomemos o caso do Google. Uma conta padrão dá acesso a essencialmente todos os recursos oferecidos pela empresa, incluindo Gmail, Google Drive, Google Docs, Blogger, YouTube, AdWords, AdSense, a Play Store do Android… acho que dá para entender. O último exemplar tem como prioridade os usuários do Gmail, e sua trama começa com um e-mail supostamente enviado por um dos nossos contatos…
O ataque
Um e-mail falso possui características que permitem sua rápida identificação, começando por amplas diferenças no idioma e erros de ortografia. No entanto, de acordo com os relatos, esse ataque pode enviar e-mails com cabeçalhos e arquivos anexos legítimos que foram usados em uma comunicação prévia entre os dois usuários. Se tentarmos clicar na pré-visualização do anexo, seremos levados ao que parece ser a página principal de login do Gmail. O problema é que há uma armadilha oculta, e ela está exatamente na barra de endereços. A string não começa com o esperado «https://accounts.google.com», mas sim com um pequeno «data:text/html,» antes. Na verdade, isso é o início de uma longa estrutura de texto que se encarrega de transmitir nossas credenciais ao atacante, e uma vez que as tem em seu poder, repete todo o processo com o resto dos nossos contatos.
Como se proteger
Felizmente, proteger-se dessa campanha não é muito complicado. O primeiro passo é obviamente observar de perto o endereço URL. Se não encontrarmos o «https://» na frente no Gmail (ou em qualquer outro portal de login do Google) com seu correspondente cadeado ou etiqueta verde e os dados auxiliares do certificado, há algo errado. A verificação em duas etapas é outro recurso útil, embora exista a remota possibilidade de o site de phishing ser modificado para solicitar também o código de verificação (o ataque deveria ser quase em tempo real). A opção mais segura (por enquanto) seria o uso de chaves físicas, como o Google vem sugerindo há algum tempo. Finalmente, não é má ideia verificar os logs de atividade no Gmail. Se algo fora do lugar aparecer neles, recomenda-se trocar a senha imediatamente.
(N. do E.: o Google reconheceu o potencial deste ataque e confirmou que trabalha em medidas adicionais de segurança que estarão disponíveis com o Chrome 56. Imaginamos que a Mozilla seguirá um caminho semelhante.)