Qualquer pessoa pode acessar o YouTube, carregar seu conteúdo e alcançar uma certa quantidade de inscrições. Mas quando o dinheiro entra na equação, os termos de serviço e a relação entre seus responsáveis e os criadores mudam completamente. Os atritos entre YouTube e alguns dos chamados “youtubers” mais populares em relação à monetização não são novos, mas nas últimas horas centenas de vídeos sofreram a remoção espontânea dos anúncios publicitários. O que está acontecendo exatamente?
A importância da publicidade
A publicidade na web é um assunto cada vez mais delicado e complexo de discutir. Tanto o NeoTeo quanto outros sites parceiros precisam de publicidade para sobreviver, e esse mesmo processo se estende a muitos youtubers que, embora não tenham alcançado o nível do PewDiePie, criam vários vídeos por semana e investem muito tempo e esforço neles. Esses youtubers também exploram outras rotas, como venda de camisetas e acessórios, doações em plataformas semelhantes ao Patreon, acordos exclusivos com certas marcas, e um longo etcétera… mas a principal via de renda continua sendo a publicidade que acompanha os vídeos. Nas últimas horas, os responsáveis por vários canais e shows no YouTube saíram contra o serviço porque “alguém” do outro lado teria decidido a “desmonetização” de centenas de vídeos. Um dos afetados que tem acompanhado de perto o incidente é Philip DeFranco, que aparentemente conseguiu entrar em contato com pessoal do YouTube e obter mais detalhes:
https://www.youtube.com/embed/tJKfe4jjUdgTermos de uso e demonetização
O direito que o YouTube tem de “desmonetizar” vídeos está publicado nos termos de uso, portanto, as bases estão cobertas do ponto de vista legal. O YouTube explica que o rótulo de “conteúdo impróprio” para receber publicidade pode recair sobre vídeos com atos de violência explícita, abuso, extremismo, nudez parcial, assédio, linguagem vulgar, promoção de drogas e outras substâncias controladas… a lista continua. O problema é que esse processo massivo de desmonetização afetou vídeos que não têm nada a ver com essas exceções. Uma Youtuber deixou de ver anúncios em um de seus vídeos dedicado à acne, e depois encontramos o caso de Luke Cutforth, que falou sobre depressão em um curta de 2014, e mesmo assim recebeu o mesmo bloqueio.
Reação da web
Logicamente, a web reagiu muito mal a todos esses casos, e além de ter muita gente irritada por aí (que acusa o site de censura e de querer filtrar temas que não sejam “politicamente corretos”), o que pedem é uma melhor comunicação por parte do YouTube. O site oferece a opção de apelar o bloqueio e reabilitar os anúncios publicitários em cada vídeo, mas o processo não tem a melhor dinâmica do mundo, e adiciona frustração a um conflito que já é bastante tenso.
Na minha humilde opinião, acho que o YouTube tentou automatizar o processo de desmonetização e isso saiu do controle, algo semelhante ao que aconteceu no Facebook com uma onda de notícias falsas no começo desta semana. Embora não seja uma loucura imaginar um anunciante irritado por ver seu produto ao lado de um vídeo que considera “de mau gosto”, espero que seja um problema técnico. Vamos deixar os radares ligados para ver como a situação evolui.