A fidelidade média de 99,00% relatada pela IBM corresponde a um benchmark de rede para transferência de estados quânticos por retransmissão entre dois módulos. É uma medida dessa operação específica, não do desempenho de cálculos executados por um computador quântico completo.

O que os 99,00% medem

Fidelidade indica o quanto o estado quântico recebido corresponde ao que se pretendia transferir. No experimento, o estudo calculou uma média para a transferência pelos quatro L-couplers; o melhor enlace chegou a 99,29% ± 0,07%.

A transferência de estados e as portas CZ distantes são operações diferentes, cada uma com sua própria fidelidade. Uma porta CZ é uma operação de dois qubits que pode gerar emaranhamento, uma ligação quântica entre estados. Os resultados relatados foram:

OperaçãoFidelidade médiaMelhor enlaceIncerteza do melhor enlace
Transferência de estados por retransmissão99,00%99,29%± 0,07%
Porta CZ distante94,75%96,42%± 0,28%

Dois Nighthawk R1 e quatro L-couplers

A IBM anunciou em 27 de outubro de 2026 a conexão de dois processadores supercondutores IBM Nighthawk R1, cada um com 120 qubits, por meio de quatro L-couplers. Quibit é a unidade de informação usada na computação quântica. Embora os chips fossem processadores Nighthawk completos, a IBM afirma que apenas uma parte dos qubits foi conectada para o desenvolvimento.

Cada L-coupler liga qubits da rede dos processadores por meio de dois L-qubits ajustáveis em frequência e dois acopladores i2m baseados em RF-SQUID. O conjunto inclui ainda 80 cm de cabo coaxial de alumínio supercondutor. Segundo a IBM, os processadores foram instalados em um refrigerador de diluição antes da montagem dos L-couplers.

Portas remotas e estados emaranhados

Além de transferir estados, a equipe realizou portas CZ entre qubits de módulos diferentes. A IBM também relatou a geração de estados emaranhados entre os módulos, inclusive estados independentes produzidos simultaneamente com dois L-couplers adjacentes.

A tolerância a falhas aparece como objetivo de desenvolvimento futuro da IBM; o resultado apresentado descreve uma interconexão e operações entre módulos. O Levante-EMV relatou em 28 de outubro de 2026 que a empresa tinha como horizonte um computador tolerante a falhas em 2029 e ambicionava conectar centenas de chips. A IBM, por sua vez, descreve como trabalho futuro melhorar o rendimento e a reprodutibilidade dos acopladores, reduzir erros e ampliar o número de conexões.

Em relato publicado em 28 de outubro de 2026, o Levante-EMV também afirmou que os quatro enlaces continuaram funcionando depois de três ciclos de aquecimento e resfriamento, sem que as conexões fossem refeitas. A publicação acrescentou que a equipe usou blindagem porque campos magnéticos durante o resfriamento podem degradar o desempenho dos cabos de alumínio.