A OpenAI confirmou em 15 de setembro de 2026 que coordena há várias semanas conversas sobre segurança da IA com Anthropic e Google DeepMind. Chris Lehane, chefe global de políticas da OpenAI, disse que a cooperação busca priorizar a segurança e que, na visão da empresa, não exige uma isenção antitruste. As propostas discutidas ainda estão em diferentes estágios: algumas são compromissos anunciados, outras permanecem planos, e nenhuma forma um acordo interempresarial formal.

O que a OpenAI confirmou

A confirmação partiu de Chris Lehane e descreve a OpenAI como participante direta das conversas. Anthropic e Google DeepMind aparecem como participantes conforme o relato da OpenAI, sem uma confirmação independente dessas duas empresas.

A discussão ganhou força depois de duas propostas públicas. Em 14 de julho, Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, sugeriu um órgão americano de padrões para IA de fronteira inspirado na Financial Industry Regulatory Authority (FINRA), entidade autorregulatória do mercado financeiro dos Estados Unidos. Em 12 de setembro, Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou sua proposta para desacelerar o avanço das capacidades dos modelos.

Isso não significa interromper o desenvolvimento. Para Amodei, “desacelerar” significa reduzir o ritmo de evolução das capacidades enquanto o desenvolvimento técnico continua — ainda em velocidade alta, mas com mais tempo para avaliações e coordenação.

As propostas de supervisão

Assista à entrevista em que Dario Amodei explica sua proposta de desacelerar o avanço da IA e defende avaliadores incorporados aos laboratórios

Amodei defendeu que avaliadores independentes tenham acesso contínuo, semelhante ao de funcionários, a ferramentas, espaços de trabalho e permissões dentro dos laboratórios. A Anthropic anunciou esse compromisso de forma unilateral. Sam Altman apoiou a ideia e disse que a OpenAI faria o mesmo, mas o escopo e o calendário de implementação da OpenAI ainda não foram divulgados.

A proposta de Hassabis tem outra arquitetura: um órgão público-privado ou autorregulatório, financiado em grande parte pela indústria e formado também por especialistas técnicos independentes. Esse órgão poderia definir limites para modelos de fronteira e conduzir avaliações de cibersegurança, riscos biológicos, engano, contorno de barreiras de segurança e alinhamento.

Uma das ideias prevê que as empresas compartilhem voluntariamente seus modelos até 30 dias antes do lançamento, permitindo testes prévios. Trata-se de uma proposta de funcionamento, não de um programa já criado.

O debate público também inclui a sugestão de Elon Musk para que empresas concorrentes testem os modelos umas das outras antes do lançamento. Até o momento descrito por essa proposta, nenhum rival identificado concordou em adotá-la.

Por que a supervisão virou uma questão de concorrência

A cooperação entre rivais pode facilitar testes que uma única empresa teria dificuldade de conduzir sozinha. Mas ela também levanta uma pergunta incômoda: quem define o que é seguro — e quem ganha poder ao definir essa régua?

Aidan Gomez, CEO da Cohere, argumentou que a IA precisa de barreiras de segurança, mas que a disputa está em saber quem escreve as regras, quem participa e quais interesses elas protegem. Andrew Ferguson, presidente da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), classificou possíveis isenções antitruste como “profundamente suspeitas” e disse que elas poderiam criar barreiras para novos concorrentes.

Há, portanto, duas preocupações legítimas em colisão. De um lado, regras comuns e avaliações externas podem reduzir o risco de cada laboratório avaliar o próprio trabalho. De outro, se os maiores laboratórios controlarem o órgão, os critérios de segurança podem elevar os custos de entrada para empresas menores e consolidar a posição dos atuais líderes.

Quatro modelos de supervisão em debate

PropostaQuem avaliaria ou definiria as regrasEscopoEstágio atual
Avaliadores incorporadosEquipes independentes de terceiros dentro de cada laboratórioPráticas de segurança, incidentes, pipelines de treinamento e alinhamentoA Anthropic anunciou um compromisso; a OpenAI declarou apoio, sem divulgar escopo ou calendário de implementação
Órgão inspirado na FINRAOrganização pública-privada ou autorregulatória com especialistas independentesTestes antes do lançamento e métricas de segurança em evoluçãoProposta de Demis Hassabis, sem órgão formal criado
Testes entre rivaisEmpresas de IA concorrentesCapacidades perigosas antes do lançamentoProposta de Elon Musk, sem adesão de um rival identificado
Verificação federal independenteOrganizações independentes de verificação previstas no FRONTIER ActAvaliações de segurança dos principais laboratóriosA OpenAI apoia a disposição, mas a legislação não foi concluída

O ponto comum é a tentativa de separar a avaliação da equipe que constrói o modelo. A diferença decisiva está no controle: dentro de cada empresa, em uma entidade setorial ou sob uma estrutura apoiada pelo governo.

Conversas de segurança não são um cartel

A cooperação foi criticada por empresas menores e por autoridades antitruste, mas a acusação de cartel não é um fato comprovado. Também não há um acordo formal entre as três empresas, uma isenção antitruste concedida ou um órgão de padrões já em funcionamento.

O que existe é uma combinação de conversa confirmada pela OpenAI, propostas públicas de Anthropic e Google DeepMind, compromissos anunciados e apoio a mecanismos de verificação independente. A disputa agora passa menos por saber se os laboratórios devem discutir segurança e mais por definir quem fiscaliza os fiscais — e se as regras resultantes protegerão o público sem fechar a porta para novos concorrentes.