A proposta de Dario Amodei para colocar avaliadores externos dentro dos laboratórios de IA transformou a METR no centro de uma disputa sobre independência. As críticas, que ganharam força entre 15 e 16 de setembro de 2026, apontam para vínculos pessoais, institucionais e filantrópicos entre a organização, seu antecessor e redes associadas a investidores da Anthropic. A METR diz que não recebe financiamento de empresas de IA ou de seus funcionários e que seus financiadores não têm influência sobre seus projetos.
Por que a independência da METR virou um problema
A questão não é apenas quem paga a conta. Uma organização pode não receber dinheiro diretamente de um laboratório e ainda assim ser vista como próxima demais dele quando compartilha doadores, pesquisadores, instituições ou círculos de relacionamento.
É esse o ponto levantado pelos críticos David Sacks e Perry Metzger. Para eles, as conexões entre a METR, pessoas ligadas à Anthropic e financiadores do ecossistema de segurança de IA enfraquecem a ideia de uma fiscalização independente. A crítica é uma avaliação política da relação, não uma conclusão de regulador ou tribunal.
A METR surgiu a partir do Alignment Research Center, organização associada a Paul Christiano e a redes do Effective Altruism. Christiano trabalhou com Amodei na OpenAI nos anos 2010 e depois integrou o Long-Term Benefit Trust da Anthropic. Essas relações ajudam a explicar por que a escolha da METR provocou questionamentos — mas, sozinhas, não mostram que uma avaliação tenha sido manipulada.
O que Dario Amodei propôs para fiscalizar os laboratórios de IA
Amodei propôs que empresas de IA de fronteira permitam a atuação de avaliadores externos incorporados à operação, com acesso semelhante ao de funcionários. O objetivo seria examinar práticas e compromissos de segurança, incidentes, modelos, pipelines de treinamento e processos internos.
A ideia é acompanhar o desenvolvimento por dentro, em vez de depender apenas de auditorias pontuais ou de informações escolhidas pela própria empresa. Amodei apresentou essa medida como um compromisso unilateral da Anthropic, dentro de uma proposta mais ampla de coordenação para controlar o ritmo do avanço da IA.
A supervisão só teria valor prático se os avaliadores pudessem acessar as áreas relevantes e publicar descobertas importantes sem revisão editorial da empresa — ressalvadas questões específicas de segurança, aspectos legais, segredos comerciais e dados confidenciais de terceiros.
Os vínculos financeiros e institucionais em disputa
A METR anunciou, em 14 de agosto de 2026, cerca de US$ 71 milhões em compromissos de financiamento levantados nos seis meses anteriores. O anúncio veio antes da controvérsia sobre seu possível papel como avaliadora externa.
Entre as relações citadas na disputa estão:
- O Survival and Flourishing Fund teria reservado até US$ 752 mil para a METR desde sua fundação, incluindo US$ 324 mil em dinheiro geral e uma promessa de equiparação de US$ 428 mil.
- A Coefficient Giving teria doado US$ 1.515.000 ao Alignment Research Center em 2022. A METR afirma que o valor foi mantido separado e não foi usado em suas operações.
- Dustin Moskovitz e Jaan Tallinn são descritos como investidores da Anthropic associados a organizações filantrópicas que apoiaram iniciativas de segurança de IA.
- A METR se separou do Alignment Research Center em 2023, quando a ARC Evals passou a usar o nome METR.
Esses pontos descrevem uma sobreposição de pessoas, instituições e financiadores. Eles não transformam automaticamente doações feitas a organizações relacionadas em financiamento direto da Anthropic à METR.
| Data | Desenvolvimento | Ator ou organização |
| 2022 | A Coefficient Giving teria doado US$ 1.515.000 ao Alignment Research Center. | Coefficient Giving e Alignment Research Center |
| 2023 | A ARC Evals se separou do Alignment Research Center e adotou o nome METR. | METR e Alignment Research Center |
| 14 de agosto de 2026 | A METR anunciou cerca de US$ 71 milhões em compromissos de financiamento levantados nos seis meses anteriores. | METR |
| 12 de setembro de 2026 | Dario Amodei publicou a proposta “We Must Pace the Frontier”, que inclui avaliadores externos incorporados aos laboratórios. | Dario Amodei e Anthropic |
| 15 e 16 de setembro de 2026 | A proposta passou a ser questionada publicamente por causa das relações entre a METR, seus doadores e redes ligadas à Anthropic. | METR, Anthropic e críticos da proposta |
A resposta da METR e o que pode ser afirmado
A METR afirma que seus financiadores não têm poder de decisão sobre os projetos e que a organização não aceita dinheiro de empresas de IA nem de seus funcionários. Também diz não receber remuneração de laboratórios de IA.
A organização defende que investigadores externos podem levar ao público informações obtidas dentro das empresas e que nenhum grupo pequeno deveria ter autoridade exclusiva sobre o futuro da inteligência artificial.
Essa posição responde à acusação de dependência direta, mas não elimina a discussão sobre independência percebida. Doações a organizações relacionadas, relações profissionais anteriores e vínculos pessoais podem afetar a confiança do público mesmo quando não há pagamento direto de um laboratório à entidade avaliadora.
Anthropic financiou diretamente a METR?
A METR afirma que não recebe financiamento de empresas de IA ou de seus funcionários, e as relações financeiras citadas na disputa envolvem organizações filantrópicas e o antigo Alignment Research Center. A conexão direta entre Anthropic e financiamento da METR não foi apresentada como fato.
O caso de 2022 também tem duas partes: a Coefficient Giving teria feito a doação ao Alignment Research Center, enquanto a METR afirma que o valor foi separado e não financiou suas operações. A distinção importa: apoio a uma organização antecessora ou relacionada não equivale, por si só, a financiar diretamente a METR.
Sam Altman apoiou especificamente a METR?
Não. Sam Altman apoiou a ideia geral de avaliadores independentes com acesso semelhante ao de funcionários, mas não indicou especificamente a METR. O endosso amplia o apoio público ao modelo de fiscalização, sem transformar a organização em avaliadora oficialmente escolhida pela OpenAI.
A disputa agora se concentra no desenho concreto dessa fiscalização: quem escolhe os avaliadores, que acesso eles recebem e como suas conclusões chegam ao público. Sem essas regras, a distância entre uma auditoria realmente independente e uma supervisão simbólica continua sendo uma questão central para qualquer laboratório que adote o modelo.