Dos mesmos criadores de Babysitter Bloodbath, Sanitarium Massacre e Minotaur, chega ao seu PC um sangrento conto de horror, loucura e morte: Power Drill Massacre. Um tributo aos filmes de terror baratos em VHS e aos survival horror do PlayStation 1. Corra pela sua vida!
Eu não gosto nem um pouco desses jogos chamados pejorativamente de “walking simulators”. Tendo jogado títulos marcantes como o próprio Slenderman e o novíssimo Layers of Fear, entre muitos outros, posso dizer que são um lixo à prova de balas. Não me geram nada, nem sequer me desafiam um pouco.
A culpa desse flagelo é dos youtubers do estilo PewPewDie, Markiplier e similares, que se mostram jogando esses monstrengos, gritando na câmera sempre que podem, fingindo que estão assustados. Nenhum deles é digno de um Oscar, mas esse estilo forçado de atuação mesmo assim lhes rendeu frutos: fama, fortuna e milhões de seguidores. Seguidores, aliás, que compram cada jogo mostrado por seus ídolos. E como para seus ídolos vale a pena gritar na câmera, porque é isso que seus fãs amam, eles sempre preferem os jogos de terror.
Muitos desenvolvedores, então, decidem apostar nessa fórmula: fazer um jogo de terror com vários “jump-scares” (sobresaltos), para assim conseguir ser notado por algum desses próceres do YouTube. Com que um ou dois youtubers mais influentes peguem um jogo, basta para torná-lo viral e multiplicar suas vendas por infinito mais um. Os walking simulators também não são difíceis de programar, já que em geral não têm muitos inimigos (ou não têm nenhum) e os jogos fazem jus ao apelido: são puro andar, andar e andar. Power Drill Massacre bem que poderia entrar nessa lista, mas é charmoso demais, genuíno demais, para ser julgado com a mesma dureza.
Power Drill Massacre foi desenvolvido por um cara chamado Benedetto Cocuzza, que claramente é fanático por slashers do cinema de décadas passadas, e isso se nota muito. Ponto para ele! Em seu portfólio de jogos anteriores, por exemplo, podemos encontrar joias com nomes tão ou mais geniais quanto o jogo que apresentamos aqui. Esses jogos são Babysitter Bloodbath e Sanitarium Massacre, cada um também merecedor de um artigo no NeoTeo. Jogos que misturam gráficos e controles no estilo survival horror do PlayStation 1 (controle tanque), com o cinema classe B grindhouse de culto dos anos 70 e 80. Power Drill Massacre seria como um remake mais profissional de seu terceiro jogo, chamado Minotaur, em que o assassino é o mesmo: um louco com máscara que mata suas vítimas com uma furadeira, fatiando e liquidificando os miolos de qualquer crânio que perfure.
Essa joia escondida entre tanta informação inútil na web, e cuja demo você pode baixar do site oficial, é ainda uma prova de conceito, ao contrário dos jogos mencionados, que já estão completos e você pode baixar aqui gratuitamente. Conta a história de Megan e seu namorado Jeff, que sofrem um acidente em uma estrada no meio do nada e precisam de ajuda. Como Jeff quebra a perna com o impacto, será Megan a responsável por tirá-los do apuro. E ali, ao longe, no alto da colina, parece haver uma casa... talvez seu dono possa emprestar um telefone! OU TALVEZ ESTA SEJA A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ TENHA SEU CÉREBRO DENTRO DA EMBALAGEM ORIGINAL! MUAHAHAHA.
O desenvolvimento do jogo é simples. Tem muito de andar e andar, mas também há pequenos objetos para encontrar se você quiser escapar do pesadelo... tudo enquanto um assassino em série com uma furadeira pisa no seu calcanhar! Como já disse mais vezes do que deveria, tudo no jogo aponta para ser um tributo aos objetos de culto do seu criador: os survival horror do PlayStation e os filmes de terror em VHS. Isso se nota não só no design do jogo, em sua história e na forma de contá-la, mas no Modo VHS, que coloca um encantador filtro de “fita analógica gasta” sobre a ação. Vale notar que esta é só uma demo, e o jogo completo terá um monte de coisas ausentes aqui, como mais personagens, diálogos, uma história diferente, quebra-cabeças melhores e um visual geral melhorado, como se pode ver no vídeo abaixo.
https://www.youtube.com/embed/g5MdVjMiIRM
AVISO: Tanto Power Drill Massacre quanto Babysitter Bloodbath e Sanitarium Massacre são jogos muito, muito difíceis de digerir, com orçamentos extremamente baixos e um amadorismo confessado pelo próprio criador, que ainda está aprendendo a fazer jogos. Os controles são péssimos e custa muito se acostumar, e nunca é muito óbvio o que fazer para não morrer nas mãos do psicopata da vez. Os gráficos, por sua vez, são da “era PlayStation”, então também podem ser agressivos para aqueles acostumados a gráficos em HD com milhões de polígonos. Mas isso é, em parte, o que torna esses jogos tão genuínos: não só se parecem com uma produção grindhouse de antigamente na estética, mas também em sua manufatura: produtos baratos, feitos por pessoas nem sempre profissionais (que aprendiam na prática) e com muita e evidente paixão. Benedetto Cocuzza, se até tem nome de artesão!