Em uma era de hiperconectividade e digitalização, os olhos são eletrônicos e implacáveis. O objetivo não se limita mais a confirmar quão bonito você é ou quão bem você se adapta aos padrões estéticos atuais: é preciso estar ótimo o tempo todo, e aceitar que estamos sendo analisados, estudados. O documentário interativo How Normal am I revela o funcionamento dos algoritmos como teste de beleza, de idade, emoção e até expectativa de vida, apenas olhando para o seu rosto.
Em mais de uma ocasião já ouvimos que "saúde é beleza", e cada vez que aparece um teste online tentando calcular quão bonito você é, saiba que ele também pode avaliar... outros aspectos. Por exemplo, através de uma foto sua no Tinder, uma inteligência artificial poderia obter um valor estimado do seu índice de massa corporal e afetar suas chances de acesso a um seguro de saúde. Soa perturbador, mas esse é o mundo de hoje.
Outro problema fundamental é o da precisão. Os 'horrores' na análise de inteligências artificiais estão muito bem documentados, e os pesquisadores alertam constantemente sobre o viés em seus resultados. Então, o que podemos fazer? Para o artista e designer holandês Tijmen Schep, a resposta é explorar, estudar e criticar esses sistemas. Seu documentário How Normal Am I aponta nessa direção.
How Normal Am I: um 'teste de beleza' diferente
Não basta compartilhar uma foto antiga. Na verdade, você não pode fazê-lo: para participar do documentário interativo de Schep, você precisa ter uma webcam. O problema da privacidade é resolvido desde o início, pois todo o processamento é feito localmente no seu navegador, sem transferências para a nuvem.
Após uma breve introdução, a plataforma perguntará sua idade e ativará o primeiro algoritmo, focado na beleza (ou seja, quão bonito você é segundo o código). Ela também explica os usos mais comuns desses algoritmos, como o já mencionado Tinder, ou o próprio Tik Tok, que prioriza o conteúdo de pessoas consideradas "atraentes". O próximo algoritmo analisa sua idade, e o documentário sugere que, dependendo da posição do seu rosto e das fontes de luz, o resultado pode variar muito.
A avaliação do índice de massa corporal pode ser alterada com algo tão simples quanto levantar as sobrancelhas. As seguradoras compram e usam essas informações porque, de sua perspectiva, "é melhor do que nada", mas é uma lógica preocupante, pois preferem adotar informações incorretas a correr um risco.
Em resumo, se você se interessa por inteligência artificial e pelo efeito dos algoritmos na sua vida, definitivamente deve dedicar alguns minutos ao How Normal am I. Talvez não ajude com encontros (não desista!), mas você aprenderá algo novo.
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