Já disse isso em mais de uma ocasião: 2016 foi o ano do ransomware. Seus desenvolvedores não apenas descobriram uma forma muito eficaz de ganhar dinheiro rápido, mas também o quão despreparados estávamos para enfrentar sua ameaça. A equipe da SonicWall publicou um relatório que reflete com precisão o avanço do ransomware: de 3,8 milhões de ataques em 2015, passamos para 638 milhões. E isso é só o começo.
No início, as notícias relacionadas ao ransomware pareciam distantes, isoladas. Depois notamos que algumas variantes modificaram seu perfil de ataque, infectando computadores em hospitais e agências governamentais. Esse poço em particular está longe de secar, mas a concorrência não fez nada além de simplificar o acesso aos kits, baixar os preços e, claro, apontar suas armas para o usuário comum. O impressionante sucesso do ransomware não se limita a detalhes técnicos. Seu impacto psicológico é muito grande, e a mecânica do «pague ou perca tudo» faz tremer milhões de usuários. Sim, eu disse milhões. A empresa de segurança SonicWall publicou a versão mais recente de seu relatório anual de ameaças, e o que o ransomware fez em 2016 foi assustador.
A SonicWall classificou de «meteórico» o aumento no número de ataques. 2016 terminou com 638 milhões sob suas asas, quando em 2015 foram apenas 3,8 milhões. No primeiro trimestre do ano passado, as empresas afetadas já haviam pago cerca de 209 milhões de dólares como «resgate» por seus dados. A explosão de atividade ocorreu em março, quando os ataques passaram de 282 mil para 30 milhões. A partir daí a tendência se manteve em alta, e o último trimestre de 2016 fechou com 266,5 milhões de ataques.
Por que isso aconteceu? A SonicWall compartilha várias razões em seu relatório. A primeira foi mencionada acima: uma combinação de acesso simplificado ao mercado negro com o baixo custo das ferramentas, que em certos casos foram distribuídas de forma gratuita. A isso se soma o conceito de «ransomware como serviço», ou seja, os interessados em iniciar um ataque não precisam de conhecimentos avançados para fazê-lo. Ao mesmo tempo, o ransomware encontrou um ponto de apoio crítico com os bitcoins, que garantem o anonimato dos atacantes. De acordo com o relatório, o ransomware em 2016 teve uma presença bastante equilibrada entre diferentes indústrias, mas isso é difícil de comprovar porque muitas vítimas decidiram não reportar os ataques que sofreram. Qual foi o payload mais usado? Locky ganhou de lavada, acumulando mais de 500 milhões de ataques. Petya foi seu imediato seguidor, com apenas 32 milhões.