Os discos rígidos têm vários inimigos naturais, talvez até demais. Calor, picos de voltagem, impactos... na verdade, não é preciso muito para acabar com eles ou interromper seu funcionamento normal. De fato, uma música se mostrou mais do que suficiente: Raymond Chen, um dos principais engenheiros de software da Microsoft, compartilhou uma história sobre laptops com discos rígidos afetados pelo famoso single de Janet Jackson, Rhythm Nation. O que exatamente aconteceu?

Rhythm Nation: a música de Janet Jackson que 'destrói' discos rígidos
Janet Jackson destrói discos rígidos

Imagine por um momento que alguém traz seu laptop para conserto e diz: “Estava ouvindo uma música e ele parou de funcionar”. A primeira coisa que vem à mente é o ceticismo, já que a reprodução de um CD ou de uma música em MP3 não deveria ter esse tipo de impacto. Pior ainda, a música não se limitou a “travar” o sistema operacional, mas deixou o disco rígido fora de combate.

O que seria “o lógico” nesses casos? Podemos pensar que o laptop caiu no chão, vítima de uma cotovelada durante uma dança, ou foi lançado a velocidades terminais pelos menores da casa. No entanto... existe um precedente que coloca toda a responsabilidade sobre a música. Não estamos falando de um arquivo infectado ou corrompido: o simples fato de reproduzir a música foi o que deixou esses discos offline. Para conhecer essa história, ninguém melhor que Raymond Chen, uma das tantas mentes mestras da Microsoft.

Rhythm Nation: Janet Jackson e a ressonância mortal

Chen explica em seu blog que conheceu essa história através de um colega que trabalhava na seção de suporte para Windows XP. Um “fabricante importante” de hardware havia descoberto que o vídeo musical da canção Rhythm Nation de Janet Jackson estava afetando vários modelos de sua linha de laptops. A investigação também confirmou que a reprodução do vídeo prejudicava laptops da concorrência e, como se não bastasse, um laptop reproduzindo a música podia derrubar outro próximo.

Vírus, malware, patches, impactos? Nada disso: os engenheiros descobriram que a música possuía uma das frequências ressonantes naturais para os discos rígidos de 5.400 RPM que esse e outros fabricantes usavam em seus produtos. A solução do OEM foi simplesmente colocar um filtro no pipeline de áudio para eliminar as frequências mais problemáticas durante a reprodução. Chen acredita que eles adicionaram uma etiqueta “Do not remove” a esse filtro, e sua preocupação é que o aviso ainda esteja lá depois de tantos anos, sem que ninguém saiba sua origem.

Um dos melhores exemplos de discos rígidos “perturbados” por vibrações inesperadas está há vários anos no YouTube. Brendan Gregg, da equipe Fishworks da Sun Microsystems, demonstrou os efeitos de latência e desempenho ao gritar junto a um grupo de discos rígidos. Obviamente não recomendamos fazer isso, mas ouvir Janet não deveria causar problemas hoje em dia.

Fontes: Microsoft DevBlogs, The Verge