Os testes publicados mostram que o Surface Laptop Ultra executa modelos de IA local de até 35B, mas também registram uma ressalva: em 14 de outubro de 2026, a StorageReview observou desligamentos em duas unidades de análise durante uma carga específica do OpenBLAS. Na mesma bateria de testes, a Razer Blade 16 gerou tokens cerca de 2,3 vezes mais rápido nos modelos que cabiam em sua memória gráfica. A análise da StorageReview aponta um notebook voltado a quem precisa acomodar modelos maiores na memória unificada, com limitações importantes para avaliar antes de escolher.

Modelos locais e desempenho nos testes

O Surface Laptop Ultra combina o RTX Spark N1X, com CPU Grace e GPU Blackwell, em duas configurações: 18 núcleos de CPU e 5.120 de GPU, ou 20 núcleos de CPU e 6.144 de GPU. As opções de memória unificada vão de 24 GB a 128 GB. A Microsoft apresenta o equipamento como uma máquina para criação, desenvolvimento e IA local.

Na configuração de 128 GB, a StorageReview reservou 64 GB para a GPU; o teste identificou 62,5 GB como utilizáveis pela GPU. Com essa divisão, Kevin OBrien, da StorageReview, executou os modelos gpt-oss:20b, de 12,8 GB, e Qwen3.6-35B-A3B, de 21,1 GB. A taxa de geração registrada para esses modelos ficou entre 58 e 89 tokens por segundo.

A diferença entre capacidade e velocidade é decisiva aqui. A Razer Blade 16 testada pela StorageReview tinha 24 GB de memória gráfica e não comportou o teste tier-M daquela bateria. Nos modelos que cabiam nessa memória, porém, ela gerou tokens cerca de 2,3 vezes mais rápido que o Surface. Se seu fluxo depende de modelos maiores, a memória compartilhada do Surface pode ser mais útil; para modelos que cabem em 24 GB, os resultados favorecem a velocidade da GPU discreta da Razer naquele teste.

Outro uso prático aparece no relato de Dave Altavilla, da Computerworld. Ele usou o Hermes com Qwen3.8-27B para processar dados de uma planilha Excel e gerar um relatório formatado no Word em cerca de cinco minutos. O fluxo envolveu scripts em Python gerados e executados pelo Hermes. É uma demonstração de uma tarefa completa, não uma medição padronizada de velocidade.

A Computerworld também publicou resultados preliminares de benchmarks: no UL Procyon AI Text Generation com Phi 3.5, o Surface marcou 2.703 pontos, contra 2.027 do Lenovo IdeaPad Pro 5; no MLPerf Flux 2 Klein 4B, gerou 26,97 imagens por minuto, contra 9,96 do Lenovo. Em testes distintos da StorageReview, com o notebook conectado à tomada e no modo Best performance, o Surface marcou 6.963 pontos no Cinebench 2026 multicore e concluiu a compilação do LLVM 21.1.4 em 206,4 segundos. São resultados de laboratórios e condições diferentes, não uma única comparação entre todos esses equipamentos.

A NeoTeo já abordou outro recorte do RTX Spark, com foco em imagem gerada localmente e autonomia, nesta análise anterior.

O que ocorreu no teste OpenBLAS

Em 14 de outubro de 2026, a StorageReview registrou três desligamentos abruptos em uma unidade durante uma operação LU de precisão dupla do OpenBLAS, com todos os núcleos ativos e N=20000. Uma amostra de análise anterior também havia falhado sob a mesma carga; em uma nova tentativa, a unidade testada passou pelo ensaio. A StorageReview não identificou a causa dos desligamentos.

O relato se refere a duas unidades de análise e a uma carga específica. Não é uma avaliação de todas as tarefas do notebook: na mesma análise, o Surface concluiu um ciclo de 30 minutos do Cinebench sem perda de desempenho.

Windows on Arm, cabo e caneta

O Surface Laptop Ultra roda Windows 11 em Arm64. O Prism traduz muitas aplicações x86, mas softwares especializados, drivers e alguns jogos com sistemas anti-cheat podem ter limitações de compatibilidade, segundo Dave Altavilla, da Computerworld. Para quem depende de aplicativos profissionais ou jogos específicos, esse detalhe pode pesar tanto quanto o desempenho da GPU.

A porta Magnetic Connect e o cabo magnético têm capacidades de dados diferentes. No exame da LTT Labs, a porta do notebook aceitou USB4 de até 40 Gbps com um cabo USB-C convencional; o cabo magnético suporta USB Power Delivery e dados USB 2.0. Para transferências rápidas, portanto, a conexão USB-C comum é a opção indicada por esse teste. A avaliação técnica da LTT Labs detalha a distinção.

A tela de 15 polegadas é sensível ao toque, mas a Microsoft informa que ela não aceita entrada por Surface Pen nem Surface Slim Pen. Quem precisa desenhar ou fazer anotações à mão deve considerar essa limitação. A página oficial do produto também descreve as condições dos testes de bateria.

Autonomia e protocolos de teste

A Microsoft declara até 15 horas de reprodução local de vídeo e até 12 horas de navegação ativa. Os números vêm de unidades de pré-produção com CPU de 20 núcleos, 64 GB de memória e SSD de 1 TB, testadas com brilho de 150 nits e Wi-Fi conectado. No teste de vídeo, a empresa usou um arquivo .mov em 1080p a 24 quadros por segundo no Windows Media Player; o teste de navegação percorreu 12 sites em várias abas.

Separadamente, Dave Altavilla mediu 14 horas e 35 minutos de reprodução de vídeo em um teste PCMark. Como o protocolo é diferente do usado pela Microsoft, os dois resultados descrevem medições distintas.