Os limites naturais do silício, somados a benefícios cada vez menores provenientes da Lei de Moore, obrigaram a Intel a modificar sua clássica estratégia de Tick-Tock em favor do novo Processo-Arquitetura-Otimização. O primeiro produto que surge dessa modificação é o Kaby Lake, arquitetura apresentada pelo gigante de Santa Clara como a sétima geração de processadores Core. A primeira rodada de chips aponta para notebooks e dispositivos híbridos, enquanto os modelos de desktop devem chegar no início do próximo ano.
Senhoras e senhores, é a última parada dos 14 nanômetros. O mais provável é que eles saiam do mesmo jeito que chegaram (ou seja, sem mover muito o amperímetro), mas devemos reconhecer que o cenário mudou demais para continuar com as mesmas regras. Os computadores têm ciclos de vida mais longos, o que leva a um inevitável esfriamento do mercado, e também encontramos as crescentes demandas por portabilidade, com usuários que querem mais poder e mais duração nas baterias. A resposta da Intel a essas condições é o Kaby Lake, que vem simbolizar o "O" no novo esquema "PAO" da companhia. Se fizermos um pouco de memória, Broadwell foi a primeira arquitetura ("P") a alcançar os 14nm como compressão de Haswell, enquanto Skylake ("A") representou um novo design.
A distribuição geral do Kaby Lake será feita em duas séries, identificadas pelas letras U e Y. A série U tem como alvo os ultraportáteis, e seus três processadores principais (os chips Core i7-7500U, i5-7200U e i3-7100U) não superam 15 watts de TDP. Nesses três casos, detectamos uma configuração de dois núcleos e quatro threads, com frequências base entre 2.4 e 2.7 GHz, acompanhadas por modos Turbo que chegam perto dos 3.5 GHz quando necessário. Pelo lado da série Y, seus três processadores (Core i7-7Y75, i5-7Y54 e m3-7Y30) têm como objetivo ocupar um lugar em dispositivos híbridos e tablets. O uso de dois núcleos e quatro threads permanece, mas aqui encontramos um TDP de apenas 4.5 watts e frequências iniciais mais baixas (de 1.0 a 1.3 GHz).
Outro aspecto muito importante do Kaby Lake é a otimização no módulo de vídeo. Embora Skylake tivesse a capacidade de acelerar H.264 e HEVC em 4K sob um modo híbrido com assistência do processador, Kaby Lake transfere completamente a carga para a GPU e adiciona à sua lista a decodificação acelerada de VP9, um benefício que se refletirá na reprodução de vídeos 4K em serviços como o YouTube. Dependendo do ambiente, a Intel antecipa aumentos de desempenho de 12 a 19 por cento, o que não soa tão mal para esse "duplo tock". Vários fabricantes já confirmaram que haverá produtos baseados em Kaby Lake antes do fim do ano, mas os sistemas de desktop deverão esperar até janeiro. É provável que haja novidades durante a CES 2017.