Senhoras e senhores, acabou a espera. Depois do lançamento da prévia durante os últimos dias de julho, o Android 7.0 Nougat está chegando a todos os dispositivos compatíveis indicados pela Google. Uma das primeiras coisas a destacar sobre o Nougat é o reconhecimento definitivo do formato phablet ao incorporar funções que nos permitem usar toda a tela com mais eficiência e obter o tão desejado modo multitarefa, cuja utilidade será muito importante em smartphones e tablets.

Android 7.0 Nougat: as principais novidades
Android Nougat

Finalmente, o Android chegou à sua sétima versão principal. Falta um mês para completar oito anos, e é difícil acreditar o quanto cresceu. Claro que o Android não pode dormir sobre os louros. A tecnologia muda a cada momento, os dispositivos móveis evoluem, as exigências dos usuários aumentam, e o sistema operacional sempre precisará estar à altura das circunstâncias. Alguns aspectos do Android ainda precisam de uma solução definitiva, começando pelos enormes níveis de fragmentação da plataforma e pela falta de atualizações na maioria dos dispositivos. A tarefa não será nada fácil, mas o Android vem enfrentando seus demônios um por um, e se considerarmos elementos como seu nível de adoção e compatibilidade, o certo é que ele está vencendo. Agora é a vez do Nougat, que buscará expandir tudo o que foi bom no Marshmallow, adicionar funções muito pedidas e se preparar melhor para o futuro.

Android 7.0 Nougat: as principais novidades
Nexus 5X sim, Nexus 5 não. A Google traçou a linha para o Nougat.

Compatibilidade e dispositivos

Comecemos pelo lado amargo: a nova atualização do Android chegará aos dispositivos Nexus 6, 9, 5X, 6P, ao tablet Pixel C, ao Nexus Player e ao smartphone General Mobile 4G, um dos “órfãos” do programa Android One. O olho treinado perceberá rapidamente que o Nexus 5 e a versão 2013 do tablet Nexus 7 não aparecem na lista, e isso porque não receberão o Nougat. O Nexus 5 está descontinuado há mais de um ano, e a Nexus 7 não tem sucessora direta (a Nexus 9 é maior e mais cara). Ambos os dispositivos continuarão recebendo atualizações de segurança (estima-se cerca de 18 meses de suporte estendido), mas o caminho oficial determina que sua última parada é o Marshmallow. A história será diferente quando o CyanogenMod e outros projetos semelhantes fizerem sua mágica no Nougat, embora esse tipo de mudança já fique por conta do usuário.

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Bem-vindo ao modo multitarefa, embora os desenvolvedores precisem atualizar rapidamente seus aplicativos. Ainda há muitos erros.

Modo multitarefa

De longe, a função mais importante do Nougat é a incorporação do modo multitarefa, que podemos classificar de duas maneiras: janelas múltiplas e tela dividida. Abrimos um aplicativo, fazemos um toque longo no botão Recentes (o quadrado), escolhemos um app da lista e automaticamente a tela será dividida entre os dois aplicativos. O modo de tela dividida precisará de muita ajuda dos desenvolvedores, porque muitos apps não são compatíveis (afinal, o Nougat estreou ontem) ou se comportam de forma errática. Outro toque em Recentes permite mudar o aplicativo do lado direito da tela, enquanto o app da esquerda funciona em uma espécie de “primeiro plano”, por assim dizer, e permanece estático. Outro toque longo em Recentes nos tira da tela dividida, mas isso não é tudo: com um simples toque extra, invocamos as janelas múltiplas, e o aplicativo escolhido volta ao primeiro plano com um simples arrastar para um lado ou outro da tela. O Chrome suporta o novo modo multitarefa, mas a separação de abas é ativada “de dentro” do navegador. A tela dividida nos deixa mudar o tamanho que cada app ocupa na tela, e se arrastarmos o controle totalmente para uma extremidade, fechamos o aplicativo.

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Melhores notificações, mais completas e claras que no Marshmallow.

Notificações

Outro ponto que recebeu muita atenção no Nougat é o sistema de notificações. No Marshmallow, alguns usuários praticamente precisam adivinhar qual aplicativo está exibindo a notificação, e os ícones são pequenos demais. No Nougat, encontramos uma apresentação muito mais refinada, que abandona completamente o “formato cartão” para aproveitar melhor a largura da tela. Os ícones são maiores, o círculo de contato agora fica do lado direito e o nome do aplicativo responsável pela notificação aparece claramente. A forma como o Nougat agrupa as notificações parece pegar emprestados dois ou três truques do manual do Android Wear. É curioso que uma ideia pensada para telas ultracompactas encontre lugar nas phablets atuais, mas sua execução no Nougat é bastante boa.

Detalhes técnicos

Para finalizar, não podemos esquecer todos aqueles detalhes técnicos que buscam extrair o máximo dos nossos dispositivos. O Nougat incorpora compatibilidade com a API Vulkan, um novo compilador JIT que reduz o tamanho do código em 50% (de acordo com a Google) e acelera a instalação de aplicativos em 75%, o novo modo Data Saver que ajuda a reduzir o consumo de dados em certos apps, maior pressão sobre a função Doze para estender a duração da bateria, uma dinâmica de atualizações muito mais fluida graças a uma partição especial (algo semelhante ao que se vê no Chrome OS) e, no futuro, o Daydream: a plataforma oficial de realidade virtual. Apesar da ocasional aresta no modo multitarefa, o Android Nougat parece um passo na direção certa. É uma pena que menos de 15% dos usuários estejam em condições de receber a atualização, mas o melhor ainda está por vir. Talvez no próximo ano, quando Chrome OS e Android tiverem um encontro mais íntimo.

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