Alguns anacronismos tecnológicos são realmente fabulosos. Anteriormente, vimos um televisor austríaco dos anos 70 transformado em reprodutor de YouTube e um WEGA alemão de 1980 com um Raspberry Pi, mas hoje temos algo que envolve... um videocassete. Inspirado em um antigo webcomic francês, o usuário "Ghettobastler" criou um híbrido entre uma terminal Minitel, uma unidade VHS e um Raspberry para baixar e gravar diretamente em fita os vídeos do YouTube.
A perda de conectores, funções e serviços legados provocou a aposentadoria definitiva de muitos dispositivos, mas com um pouco de criatividade eles sempre podem voltar à vida, mesmo que por diversão. Não precisa ser algo necessariamente prático: o importante é que funcione e que não seja tão complicado de reproduzir.
Com isso em mente, nós nos transferimos ao portal do usuário "Ghettobastler", que compartilhou alguns projetos baseados em terminais Minitel. Se o nome não lhe soa familiar, Minitel foi um serviço de videotexto francês que serviu como precursor da Internet entre 1980 e 2012. Embora tenha atingido um pico de nove milhões de terminais, hoje é considerado uma espécie de "beco sem saída tecnológico", mas ainda restam unidades por aí. O que fez "Ghettobastler"? Ligar uma terminal Minitel a um Raspberry Pi para baixar vídeos do YouTube... e gravá-los em VHS.
YouTube Minitel: A Web no seu videocassete
Agora, como é que "Ghettobastler" chegou a essa ideia? A resposta está em um webcomic de 2011 publicado pelo artista francês Boulet. Intitulado "Formicapunk", esse trabalho nos mostra um equivalente ao steampunk, inspirado na estética e na tecnologia francesa no final dos anos 70 e início dos anos 80. O dinossauro Casimir de L'Île aux enfants, o anúncio do Concorde (Paris-Nova York em 4 horas!) e o Citroën 2CV claramente apontam nessa direção.
A mente por trás desse sistema Minitel é nada menos que um Raspberry Pi. "Ghettobastler" teve que construir um conversor de níveis lógicos para que o mini computador não fique crocante demais com os 15V nas linhas do terminal. A isso se soma uma boa dose de Python, para gerar gráficos básicos e coordenar o processo de busca-download-reprodução-gravação.
Transferir o vídeo do Raspberry Pi para a fita VHS é simples graças às saídas e entradas RCA, mas o verdadeiro desafio está em automatizar o videocassete. Depois de explorar o interior, "Ghettobastler" mudou de estratégia e decidiu emular o controle remoto com LIRC e um pequeno emissor infravermelho, colado sobre o sensor do videocassete.
Estamos prontos para voltar ao VHS e esperar a gravação de cada vídeo? Pessoalmente, a resposta é um retumbante não, mas quem sabe? Talvez esse tenha sido o caminho que a tecnologia seguiu em algum mundo paralelo...
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