Um dos aspectos mais interessantes de trabalhar com hardware retrô é o acesso a documentação avançada que simplesmente não estava disponível na época e a possibilidade de melhorar certos componentes usando variantes modernas muito mais estáveis. Com isso em mente, chegamos ao fabuloso canal do Necroware, que pegou uma placa-mãe retrô da Asus baseada no Socket 7 e expandiu sua compatibilidade de processadores criando um módulo personalizado para obter as tensões necessárias.

Como hackear uma placa-mãe retrô dos anos 90 e melhorar seu suporte
Placa-mãe retrô

A era do Socket 7 foi sem dúvida uma das mais atraentes e divertidas da história da informática. Sua compatibilidade com processadores fabricados por diferentes empresas (Intel, AMD, Cyrix, IBM, IDT e Rise, no mesmo soquete!) o coloca em uma categoria muito especial, e sua atualização Super Socket 7 abriu ainda mais o leque de possibilidades. Pessoalmente, sinto muita falta de um soquete com as virtudes do Socket 7, mas devo reconhecer que a AMD fez um ótimo trabalho com o Socket AM4, suportando várias gerações de processadores.

Como hackear uma placa-mãe retrô dos anos 90 e melhorar seu suporte
Pentium MMX. Muitas memórias.

Os computadores baseados no Socket 7 ocupam um lugar de destaque no cenário retrô devido ao seu gigantesco potencial de tweaking. O youtuber conhecido como Necroware é um verdadeiro feiticeiro na hora de reparar e otimizar hardware antigo, mas desta vez decidiu concentrar todo o seu poder de fogo em uma placa-mãe retrô Asus P/I-P55TP4XEG para que aceitasse processadores Intel Pentium MMX. Isso inclui a criação de um regulador de tensão personalizado, a definição manual de multiplicadores usando resistores e outros detalhes secundários.

Hackeando uma placa-mãe retrô dos anos 90 para melhorar seu suporte

O conteúdo completo é dividido em dois vídeos de meia hora cada um, mas se você gosta de hardware retrô, vai aproveitar cada segundo. O primeiro vídeo foca em uma descrição geral da placa-mãe, sua compatibilidade com a tecnologia proprietária Asus Media Bus e algo ainda mais importante: a possibilidade de adicionar tensões extras através de um VRM externo e habilitar a instalação de processadores MMX. O Necroware também reparou o módulo RTC, mas sua solução tinha problemas de dimensão (era alto demais e bloqueava a instalação de uma placa ISA) e o substituiu por uma bateria e uma PCB personalizada.

O vídeo está repleto de informações técnicas sobre as tensões compatíveis com Socket 7 e seus requisitos específicos dependendo do tipo de processador. Nesse ponto, o Necroware iniciou a construção do VRM... e terminou o vídeo em um cliffhanger.

Felizmente, a segunda parte chegou poucos dias depois e, embora o VRM tenha funcionado bem, surgiram outros inconvenientes. A placa-mãe precisou de uma atualização de BIOS (o portal UltimateRetro é “o” lugar para obter o BIOS de qualquer placa-mãe retrô) e não devemos esquecer que as especificações oficiais da Intel definem o multiplicador do processador de forma diferente para os Pentium padrão e os Pentium MMX. Com um pouco de arqueologia no datasheet, o Necroware corrigiu esse detalhe usando um resistor.

Na última fase do vídeo, decidiu ir ao extremo e instalar um processador AMD K6-2 de 400 MHz, compatível com Socket 7, mas muito mais exigente em termos de tensão. Tudo indicava que o VRM explodiria devido à carga, no entanto, ele resistiu mantendo uma média de 72,8 graus Celsius com refrigeração ativa. Na verdade, o processador é tão rápido que o BIOS nem consegue reportar a frequência corretamente... mas funcionou perfeitamente. Qual é o próximo passo? O objetivo original foi alcançado com sucesso (ou seja, adicionar suporte para Pentium MMX), mas esses K6-2 precisarão de um VRM mais potente. Continuará...?

Necroware no YouTube: Clique aqui Fonte: Hackaday