A «emergência» ou «surgimento» é definida como um fenômeno no qual entidades maiores são criadas a partir da interação de unidades menores, alcançando propriedades avançadas que as unidades originais não possuem. Ciência, arte, filosofia, e até a própria vida nos fornecem abundantes exemplos de emergência, e o mais impressionante é que, em geral, não sabemos por que isso acontece. O último vídeo publicado pelo Kurzgesagt nos ajuda a explorar isso.
O exemplo mais contundente que o vídeo compartilha é baseado nas formigas. Sozinha, uma formiga não pode fazer muita coisa (a menos que falemos sobre um filme de animação da DreamWorks), e sob diferentes pontos de vista poderíamos pensar que ela é estúpida, mas sua capacidade de comunicação por meio de químicos, somada ao seu potencial de adaptação diante de uma crise, transforma esses simples insetos em uma colônia muito mais poderosa do que a soma de suas partes, chegando a criar supercolônias com bilhões de integrantes que, como indivíduos, não iriam muito longe.
Outro caso fundamental é o das células. Tecnicamente, elas são compostas por elementos inertes, porém, esses elementos unidos dão origem à unidade mais básica de vida que conhecemos. Mas a história não termina aí. As células se combinam, encontram uma especialização e se tornam organismos muito mais complexos do que eram originalmente. Temos um coração, rins, pulmões, fígado, pâncreas, intestinos... e a lista continua. Uma célula independente jamais poderia alcançar as propriedades de um coração, mas essas propriedades surgem através de sua interação com outras células.
Em outras palavras, se pegarmos o corpo humano e o dividirmos em suas partes fundamentais, descobriremos que elas são bastante estúpidas por conta própria e, de certo modo, decepcionantes. Para finalizar, o Kurzgesagt faz uma pergunta que provavelmente não tenha uma resposta totalmente satisfatória: se a emergência permite a criação de estruturas avançadas a partir de componentes simples, será que a consciência humana é uma propriedade emergente das células do cérebro? Talvez saibamos em outro vídeo.