Um estudo publicado em 27 de setembro de 2026 na revista Genes encontrou sinais genômicos compatíveis com seleção direcional em cães que vivem perto da Usina Nuclear de Chornobyl, na Ucrânia. A análise atribuiu 1.138 loci candidatos à população da usina, mas não identificou uma pressão ambiental específica como causa dos sinais. Leia o estudo publicado em Genes.
O que os números mostram
A equipe começou com dados de genoma completo de 106 cães, coletados em 2018 e 2019. Depois de excluir animais próximos parentes entre si e cães cujo perfil genético se agrupava com a outra localidade, restaram 63 para as análises por localização. O estudo também usou um conjunto comparativo separado, com cães de oito grupos populacionais.
| Conjunto ou análise | Escopo dos dados | Resultado |
| Amostra inicial de genomas completos | Cães da região da usina e da cidade de Chornobyl, coletados em 2018 e 2019 | 106 cães: 58 da região da usina e 48 da cidade |
| Análise por localização, após exclusões | Cães da região da usina e da cidade | 63 cães: 33 da região da usina e 30 da cidade |
| Conjunto comparativo de SNPs | Oito grupos populacionais; análise distinta da amostra de genomas completos | 250 cães e 100.413 marcadores SNP |
| Varredura OutFLANK | Loci filtrados de cães da região da usina, da cidade, de grupos sem raça definida e de cães de raça pura | 4.828.448 loci analisados; 1.574 sinais discrepantes, dos quais 1.138 foram atribuídos à população da usina |
| Regiões com apoio de várias análises | Regiões candidatas atribuídas à população da usina | 111 regiões com 1.093 loci apoiados por pelo menos três abordagens analíticas |
OutFLANK é um método que procura loci, ou posições no genoma, com padrões incomuns de variação. Os 1.138 loci atribuídos aos cães da usina se distribuíram por 29 dos 38 autossomos. São sinais candidatos, não características adaptativas confirmadas em cada animal.
O que as regiões candidatas sugerem
A análise de vias biológicas associou genes próximos às regiões candidatas à replicação e ao reparo do DNA, à sobrevivência e à morte celular, a funções imunológicas e a vias relacionadas ao câncer. Essas associações indicam áreas que podem merecer investigação, mas não medem como as variantes afetam o organismo dos cães.
Para avaliar outras explicações para as diferenças entre as populações, os autores combinaram a varredura de seleção com análises de tamanho populacional efetivo, diferenciação cromossômica e diversidade genética. Também compararam os cães da região da usina com populações isoladas nas ilhas Galápagos. Segundo o estudo, o isolamento por si só não reproduziu o padrão de diferenciação observado nos cães de Chornobyl.
A análise da história populacional descreve mistura genética recente limitada entre os grupos da usina e da cidade. Ela não fornece uma taxa atual de cruzamentos entre os cães.
O que o estudo permite concluir
Os autores não atribuíram os sinais a uma exposição específica. As análises não separaram possíveis efeitos da radiação de fatores como metais pesados, compostos orgânicos e pesticidas. O estudo relata sinais genômicos compatíveis com seleção, mas não mediu resistência à radiação nem uma vantagem de sobrevivência para os cães.