Publicado em 23 de setembro de 2026, um estudo sobre amostras de Bennu encontrou semelhanças nas assinaturas isotópicas de ferro e titânio com as de Ryugu e dos condritos CI. Os resultados também revelam pequenas variações no cromo. Com base nesse conjunto, os autores propõem que o corpo precursor de Bennu se formou logo além da linha de gelo, dentro da órbita de Júpiter.
O que o estudo dos isótopos de Bennu mediu
Isótopos são variantes de um mesmo elemento químico, com diferentes números de nêutrons. O estudo mediu isótopos nucleossintéticos de ferro (Fe), titânio (Ti) e cromo (Cr) em cinco alíquotas — porções de uma amostra — de Bennu. O material analisado tinha massas entre aproximadamente 20 e 1.300 miligramas.
Nas cinco alíquotas, as composições isotópicas de Fe e Ti foram indistinguíveis dentro da incerteza analítica. As análises realizadas em dois laboratórios também apresentaram resultados que se sobrepõem dentro dessa margem.
A relação entre Bennu, Ryugu e os condritos CI
Os dados de Fe e Ti de Bennu se sobrepõem, dentro da incerteza analítica, aos de Ryugu e dos condritos CI, um tipo de meteorito carbonáceo. Essa afinidade sustenta a interpretação de que esses materiais compartilham uma relação de origem.
O cromo conta uma história mais variada: suas medições apresentam diferenças pequenas, mas detectáveis, entre as alíquotas de Bennu. Para o cromo-54, a média foi de 0,85 ± 0,07 ε no agregado menor e de 1,27 ± 0,09 ε no maior; ambos os valores têm incerteza de dois desvios-padrão. Os autores associam essa variação à alteração por água no corpo precursor. Nos condritos CI analisados, os valores de ε⁵⁴Cr variaram de 0,8 a 1,9, com média de 1,55 ± 0,06 e intervalo de confiança de 95%.
O cenário proposto fica além da linha de gelo
A linha de gelo é a região do disco ao redor do Sol jovem além da qual a água podia permanecer congelada. A partir das evidências isotópicas, petrográficas e químicas, os autores propõem que corpos precursores do tipo CI, incluindo o de Bennu, se agregaram logo além dessa região e dentro da órbita de Júpiter.
No modelo, o crescimento de Júpiter pode ter dificultado o trânsito de partículas maiores, enquanto a poeira fina poderia se misturar entre diferentes regiões do disco. Os autores situam a acreção desses corpos cerca de 2 milhões de anos após a formação das inclusões ricas em cálcio e alumínio, conhecidas pela sigla CAI.
A missão OSIRIS-REx entregou à Terra as amostras de Bennu em 24 de setembro de 2023, segundo o registro da NASA.