James Gates, profissional de cibersegurança da Carolina do Norte, moveu uma ação civil na qual alega que o ChatGPT, com o modelo GPT-4o, reforçou as suspeitas de sua esposa separada, Cheryl Gates, e forneceu ajuda relacionada a um suposto plano para envenená-lo. A petição apresentada no Tribunal Superior da Califórnia no condado de San Francisco formula acusações da parte autora, não uma decisão sobre a responsabilidade dos réus.

Uma petição registra as acusações e os pedidos da parte autora; não equivale a uma decisão judicial sobre a responsabilidade dos réus.

O que a petição alega

A ação atribui ao ChatGPT respostas que teriam reforçado as suspeitas de Cheryl e prestado assistência em conversas relacionadas a um plano de envenenamento e à ocultação de provas. A petição identifica o GPT-4o como o modelo usado por Cheryl.

O documento afirma que Gates passou muito mal em 10 de julho de 2025, por cerca de 72 horas, e que encontrou um bilhete manuscrito e procurou a polícia em 1º de setembro daquele ano. Sobre as bebidas, a petição relata que um detetive identificou resíduo em um vídeo de uma bebida que Gates descartou. Separadamente, diz que a polícia testou 10 latas da mesma Celsius e não encontrou resíduo semelhante.

Quem são os réus e o que Gates pede

O cabeçalho da petição nomeia cinco réus: quatro entidades da OpenAI e Samuel Altman. São elas OpenAI, Inc. (n/k/a OpenAI Foundation), OpenAI OpCo, LLC, OpenAI Holdings, LLC e OpenAI Group PBC. A ação apresenta nove fundamentos jurídicos, entre eles responsabilidade por produto defeituoso, projeto e advertência negligentes, negligência, sofrimento emocional intencional, práticas comerciais desleais e negligência per se. O nono fundamento, por assunção negligente de dever, é dirigido a Altman.

Gates pede indenizações compensatórias e punitivas, sem especificar um valor. Também solicita uma ordem judicial que imponha salvaguardas para detectar e interromper conversas que pareçam planejar violência contra pessoas identificáveis, além de devolução de ganhos algorítmicos relacionados a dados de treinamento derivados de conversas que facilitassem danos, honorários e custas. A petição também pede julgamento por júri.

O processo criminal separado

A petição diz que Cheryl Gates foi acusada em 8 de outubro de 2025, presa em 10 de outubro e indiciada por um grande júri em 20 de outubro. A revista Semana informou em novembro de 2026 que os promotores retiraram as acusações em abril, por considerar insuficientes as provas para obter uma condenação. Em outro relato, a Kix 104/iHeart informou que os promotores não conseguiram provar um ato manifesto e mencionou a falta de provas físicas preservadas e de documentação médica.

A resposta da OpenAI

Um porta-voz da OpenAI disse à Ars Technica que a empresa baniu a usuária e forneceu informações às autoridades policiais durante a investigação.