“Agora que fui despertado, sei que estiveram entre nós quase todo o tempo, hipnotizando toda a raça humana. Entendi TUDO, inclusive o fato de que se eu desse algum sinal de alerta, os ‘Fascinadores’ me comandariam instantaneamente a voltar ao meu estado original... E eu OBEDECERIA!”
They Live é definitivamente uma das obras-primas do cinema mundial. Escrito e dirigido por John Carpenter em 1988, a história segue John Nada, um vagabundo que descobre que a classe dominante é, na verdade, uma raça de alienígenas capazes de se passar por humanos. Do anonimato que lhes proporciona seu disfarce, esses extraterrestres se encarregam diligentemente de manipular a humanidade para que obedeça ao sistema, abrace o capitalismo e aceite o status quo sem reclamar. Uma obra super atual, claro: tal dominação é alcançada com mensagens subliminares através da publicidade e dos meios de comunicação... Que coincidência!
Tudo começou com um conto chamado Eight O’Clock in the Morning, escrito por Ray Nelson em 1963, para a revista The Magazine of Fantasy & Science Fiction. O conto original envolvia uma invasão extraterrestre na linha de filmes como Invasion of the Body Snatchers, mas carecia da maioria dos comentários sociais do filme.
Muitos anos depois, já em 1986, aquele conto foi adaptado para o formato de quadrinhos, sob o nome de “Nada”. Com o próprio Nelson encarregado do roteiro e o artista Bill Wray a cargo das ilustrações, foi essa adaptação que, finalmente, cativaria e inspiraria John Carpenter para escrever e dirigir o mais profético de seus filmes: “They Live”.
“Nada” tem sete páginas e foi publicada na revista Alien Encounters em 1986. O quadrinho segue muito de perto a história de Nelson, e há fortes semelhanças entre as histórias de They Live e Nada, especialmente o clímax de invadir uma estação de televisão local. A única diferença é que os famosos óculos de sol Hofmann não aparecem na história de Nelson ou no quadrinho de Wray. O herói de Nelson, George Nada, vai ao teatro assistir a um ato de hipnose ao vivo e, quando ouve o comando para acordar no final do show, de repente percebe que está cercado de extraterrestres.
Tanto na história de Nelson quanto na de Wray, é revelado que os extraterrestres, os Fascinadores, são seres nojentos com muitos olhos e pústulas por toda parte, que controlam os seres humanos através de hipnotismo. No entanto, a crueldade com que George Nada lida com a situação o torna um personagem antipático e até sugere, por momentos, que ele poderia estar vendo seres espaciais em toda parte apenas por ser um louco delirante.
Quando se propõe a “acordar” os outros, Nada primeiro se violenta com sua noiva, amarra e amordaça, para depois metralhar seus colegas de apartamento, que ele vê como alienígenas. O final, que faz jus ao título do conto original, tira qualquer dúvida a respeito, mas não queremos dar mais spoilers. Se quiser ler você mesmo, passe na SAP Cómics, que tem uns scans bem caprichados, como os que incluímos abaixo como exemplo.