O absurdo e o ridículo também têm um lugar especial na ciência, que é celebrado por meio do prêmio Ig Nobel. Essa paródia dos Nobel “mais sérios” é entregue desde 1991, e seu objetivo é claro: ria primeiro, pense depois. A entrega dos prêmios, cuja cerimônia já pode ser vista completa na internet, aconteceu na última quinta-feira, e entre os vencedores encontramos basicamente de tudo, incluindo a resistência dos cavalos brancos às mutucas e a “solução” da Volkswagen para a poluição.
A cerimônia de 2016
Quem pensa que os cientistas não podem rir ou se divertir com seu trabalho realmente precisa ver de perto a entrega dos Ig Nobel. Embora a grande maioria das pesquisas exija a mais absoluta seriedade e responsabilidade, com os Ig Nobel isso fica na porta do salão. Depois de uma rápida e simbólica abertura com o público todo atirando aviões de papel em um “drone humano”, os Ig Nobel iniciaram sua 26ª edição. O processo completo, que não ultrapassa uma hora e 40 minutos de duração, está para assistir no vídeo abaixo, ou no link que deixamos aqui (caso o embed pare de funcionar):
https://www.youtube.com/embed/xo6uGp0lbd0Os vencedores de 2016
Os vencedores tiveram apenas 60 segundos para agradecer o reconhecimento (caso contrário, seriam interrompidos por “alarmes humanos”), mas mesmo assim foram vários, então hoje apresentamos um resumo. Começando pelo “Prêmio de Reprodução”, os Ig Nobel declararam vencedor o falecido Ahmed Shafik, do Departamento de Pesquisa e Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade do Cairo, que publicou em maio de 1992 um estudo sobre os efeitos do poliéster, do algodão e da lã na vida sexual de ratos e homens adultos, ou mais especificamente, a suposta capacidade desses materiais de induzir azoospermia. O “Prêmio de Economia” ficou nas mãos de Mark Avis, Sarah Forbes e Shelagh Ferguson, das universidades de Birmingham, Otago e Massey, que avaliaram em 2013 e 2014 a personalidade das rochas, do ponto de vista de vendas e marketing. O “Prêmio de Física” foi para Gábor Horváth, Miklós Blahó, György Kriska, Ramón Hegedüs, Balázs Gerics, Róbert Farkas, Susanne Åkesson, Péter Malik e Hansruedi Wildermuth, cujo trabalho destaca a resistência que os cavalos brancos têm às mutucas e a atração fatal que as libélulas sofrem pelas lápides de cor preta.
O Ig Nobel de Química acabou nas mãos da Volkswagen, que por razões óbvias não enviou representantes à cerimônia. De acordo com os jurados do Ig Nobel, a fabricante alemã “solucionou” o problema global da poluição causada por automóveis com um sistema automático e eletromecânico que simplesmente modifica os resultados quando seus carros estão em modo de teste. O “Prêmio de Medicina” foi recebido por Christoph Helmchen, Carina Palzer, Thomas Münte, Silke Anders e Andreas Sprenger, que publicaram em 2013 a capacidade de eliminar uma coceira no lado esquerdo do nosso corpo usando um espelho e coçando o lado direito, detalhe que funciona na direção contrária. O “Prêmio de Biologia” teve dois vencedores: em primeiro lugar, Charles Foster foi reconhecido por ter vivido como um texugo, uma lontra, um cervo, uma raposa e um pássaro, e em segundo lugar, o prêmio foi recebido por Thomas Thwaites, que criou próteses especiais para viver como uma cabra no campo. Ele também publicou um livro sobre o assunto, caso estejam interessados.
Finalmente, chegamos aos últimos quatro prêmios. O Ig Nobel de Psicologia foi para Evelyne Debey, Maarten De Schryver, Gordon D. Logan, Kristina Suchotzki e Bruno Verschuere, das universidades de Ghent, Nashville, Amsterdam e Maastricht, por seu estudo focado em perguntar a mil mentirosos com que frequência eles mentem... e depois decidir se aceitavam os resultados ou não. O Ig Nobel da Paz premiou Gordon Pennycook, James Allan Cheyne, Nathaniel Barr, Derek Koehler e Jonathan Fugelsang por seu amplo documento chamado “Recepção e Detecção de Porcaria Pseudo-Profunda”. O “Prêmio de Literatura” ficou sob controle de Fredrik Sjöberg, que apresentou um trabalho autobiográfico em três volumes no qual explica o prazer de colecionar moscas mortas... e moscas que não estão bem mortas. Para fechar, o “Prêmio de Percepção” vai para o Japão, onde Atsuki Higashiyama e Kohei Adachi, da Universidade Ritsumeikan, estudaram as diferenças de tamanho e distância que alguns objetos têm quando os observamos de cabeça para baixo, curvados e entre as pernas. O que veremos no próximo ano? Com essa gente, é impossível saber...