A informática evoluiu notavelmente nos últimos anos, mas isso não se aplica apenas a tudo de bom que os computadores têm a oferecer. Os vírus também evoluíram, inclusive expandindo-se para além do clássico território dos PCs, para atacar diretamente dispositivos móveis e outras plataformas que no passado não eram consideradas um alvo prioritário.
Ainda assim, em 1989 já se reconhecia o "potencial criminal" dos vírus, assim como a necessidade de se defender ativamente contra as operações de qualquer código malicioso, não apenas com a ajuda de software específico, mas também com certos códigos de conduta mais fortes entre os usuários.
Como já tivemos a oportunidade de mencionar no passado, o vírus de computador não é nada novo. Os primeiros eram simples brincadeiras ou provas de conceito, mas à medida que o acesso ao hardware foi facilitado e os computadores deixaram de ser um luxo exclusivo de empresas e corporações, o perfil dos vírus começou a mudar.
A década de 1980 nos "presenteou" com dois vírus que, apesar de serem identificados na mesma categoria, tinham intenções muito diferentes.
As crônicas do computador: Vírus em 1989
O Jerusalem foi considerado o primeiro vírus com intenções maliciosas, pois seu comportamento podia atentar contra o desempenho final do computador. No caso do Stoned, as versões iniciais pediam a legalização da maconha.
Além do que estivesse na mente do desenvolvedor, os vírus começavam a formar uma sombra escura sobre o mundo da informática, e sua relevância chegou a tal ponto que se tornaram assunto de conversa em publicações da época e programas de televisão como The Computer Chronicles, que você pode ver a seguir.
Além da limitação do idioma que o vídeo apresenta, neste capítulo é mostrado um exemplo de um vírus modificando os executáveis de uma instalação do WordStar, e a detecção de um programa antivírus da época, chamado Flu Shot Plus.
Um ponto de ironia surge quando mencionam que o Flu Shot original havia sido infectado por um vírus, daí o "Plus" no nome. De qualquer forma, também se fala das diferentes "categorias" de programas maliciosos, como vírus, vermes e os chamados Cavalos de Troia, e da ausência de "controles de acesso" para oferecer mais segurança nos sistemas.
Este capítulo termina especialmente com o mito de que "não são necessários antivírus para Macintosh", pois mostra um software chamado Virex detectando e eliminando o famoso vírus Scores para Mac.
O Virex funcionava de forma muito parecida com os antivírus de hoje, recorrendo à detecção de padrões de vírus conhecidos. O outro programa, chamado Empower, oferecia controle de acesso e criptografia para Mac, limitando o acesso de escrita a determinadas pastas, de modo a impedir a disseminação do vírus.
A forma como o Empower atribui privilégios nos faz lembrar muito o atual esquema de segurança e privilégios que vemos no Windows.
Uma coisa mudou, e devo dizer que muito. Naquele episódio, menciona-se uma certa "histeria" em relação aos vírus, destacando que a maioria dos relatos de usuários em que se pensava haver um vírus envolvido acabava se revelando incorreta.
Agora é diferente. Enquanto escrevo estas palavras nascem novas variantes de malware com o objetivo de roubar informações pessoais, números de cartões de crédito e outros elementos que poderiam prejudicar seriamente um usuário.
Para fechar, descobrimos que se alerta sobre a "falsa sensação de segurança" que um antivírus pode transmitir, pois eles não são perfeitos (não eram então, não são agora) e que as recomendações para ter um sistema muito mais seguro em 1989 continuam sendo, em essência, as mesmas que se mantêm hoje, o que demonstra que há muita gente por aí que simplesmente parece ignorar o recado.
Você deve fazer backups periódicos, deve saber de onde vem cada cópia de software que instala no seu computador, deve desconfiar de tudo o que não tiver uma origem declarada, desde pendrives até e-mails, e deve assumir que você é a primeira e última linha de defesa no seu computador.
Pessoalmente, recomendo que assistam ao vídeo inteiro. Ele tem apenas meia hora de duração, e a seção de notícias no final provavelmente vai arrancar um sorriso ou dois. Fala sobre "memórias Flash", da batalha entre Atari e Nintendo, e de algumas "novidades" da Microsoft.
https://old.neoteo.com/los-peores-virus-pc-todos-los-tiempos/