Água é H2O. Ela não tem calorias nem nutrientes, mas é fundamental para o desenvolvimento da vida. Especialistas adoram debater sobre a quantidade exata de água que devemos consumir diariamente... mas e se não fosse H2O? Com uma pequena mudança, temos D2O, uma molécula muito conhecida como água pesada. Suas aplicações são bastante amplas, mas o público só quer saber uma coisa: Pode-se beber água pesada? Hoje vamos explorar essa resposta.
Ao falar sobre água pesada, é bom revisar suas características básicas. Ela é chamada de pesada porque os dois átomos do isótopo prótio (ou seja, “hidrogênio-1”) são substituídos por dois de deutério, coloquialmente “hidrogênio pesado”. A água pesada apresenta diferenças sutis em propriedades como ponto de fusão (3,82 °C) e ponto de ebulição (101,4 °C), enquanto sua densidade é 10% maior (1,107 gramas por mililitro).
Outro aspecto a considerar é o preço. Embora não seja uma substância impossível de obter, qualquer interessado em adquirir água pesada terá que pagar uma soma bastante significativa, dependendo do volume necessário. No entanto, o interesse do público geralmente vai em outra direção. Mais precisamente, muitas pessoas querem saber se é possível beber água pesada e, se for, que sabor ela tem.
Beber água pesada: é possível ou não?
O excelente vídeo publicado pelo Periodic Videos em 2010 não apenas explora o principal método de criação de água pesada, mas também compartilha detalhes que remontam à Segunda Guerra Mundial, com múltiplos ataques aliados sobre a região de Telemark, na Noruega, onde os alemães tiveram acesso ao primeiro local de produção em massa.
Ele também descreve uma das principais aplicações da água pesada, que é a ressonância magnética nuclear. Essa ressonância é muito sensível aos átomos de hidrogênio, e se usarmos H2O, a interferência seria grande demais. Em contrapartida, nada disso acontece com D2O, apresentando resultados muito mais limpos e precisos.
Sobre o consumo de água pesada, o consenso é que um copo de água pesada não afeta o corpo humano, mas o risco de envenenamento aumenta à medida que a ingestão cresce. Por quê? A descrição oficial é o “Efeito isotópico cinético”. Em termos simples, a massa extra do isótopo de deutério torna as reações químicas do corpo mais lentas... especialmente aquelas que nos mantêm vivos.
Nosso corpo tem diferentes moléculas com hidrogênio ligado ao oxigênio. Essas ligações se quebram naturalmente, mas as ligações entre deutério e oxigênio são mais fortes. Sua quebra exige um consumo extra de energia, o que por sua vez torna todo o sistema mais lento. Dito isso, alguns cálculos educados sugerem que uma pessoa precisaria substituir 50% da água do corpo por D2O para que isso seja mortal.