Senhoras e senhores… eles conseguiram de novo. Se alguém acompanha de perto os avanços da SpaceX rapidamente chega à conclusão de que “era questão de tempo” para que algo assim acontecesse, mas isso não modifica o fato de que estamos diante de um novo capítulo na história da era espacial. Depois de realizar uma missão de reabastecimento destinada à Estação Espacial Internacional, a SpaceX pousou com sucesso seu foguete Falcon 9 sobre um drone marítimo.
Há muitos aspectos que precisam ser otimizados em um lançamento espacial se o objetivo é colocar material em órbita a um custo menor, e um dos mais críticos é a capacidade de reutilização. O conceito não é propriamente novo, já que os ônibus espaciais acumularam mais de 130 missões (incluindo as do protótipo Enterprise), mas agora toda a atenção está nos foguetes. O trabalho da SpaceX tem sido particularmente impressionante mesmo com suas falhas acumuladas, e a empresa de Elon Musk hoje pode dizer que retirou de sua lista dois de seus maiores objetivos: Pousar um foguete em terra e outro no mar. O primeiro caso ocorreu em dezembro do ano passado depois de colocar onze satélites em órbita para a missão Orbcomm 2. E o segundo foi há poucas horas. Vejamos:
https://www.youtube.com/embed/wKDr7YwRR7YNão, não é nenhum truque visual: A primeira fase do foguete Falcon 9 que completou com sucesso a missão CRS-8 pousou sem problemas sobre o drone marítimo “Of Course I Still Love You”. Oficialmente, esta é a quinta tentativa da SpaceX de realizar um pouso (ou a sexta, dependendo de como suas provas sejam interpretadas), e o processo completo levou pouco menos de nove minutos. O foguete conseguiu deixar em bom caminho a cápsula Dragon, carregada com materiais e provisões para a Estação Espacial Internacional, e cujo manifesto inclui a unidade expansível Bigelow, que servirá como módulo experimental durante os próximos dois anos.
Para visualizar um pouco melhor o que a SpaceX conseguiu desta vez, considere o seguinte: Como mencionei acima, o foguete que pousou no drone é um Falcon 9, versão 1.1 Full Thrust. O foguete com sua cápsula tem 70 metros de altura, ou seja, um prédio de uns 25 andares. A superfície do drone é de 91,5 por 52 metros, bem grande do ponto de vista humano, mas muito pequena para uma situação de pouso, sem esquecer que ele está flutuando na água, enquanto seus motores tentam compensar o movimento em busca da maior estabilidade possível. Este segundo sucesso da SpaceX é ainda maior que o primeiro, mas na empresa sabem que haverá falhas no futuro e, além da euforia, não esquecem que é um trabalho de longo prazo.