Synlimb: uma prótese para controlar a música com a mente
Synlimb

Por mais que nosso objetivo final seja restaurar membros perdidos (ou sua funcionalidade básica, se ainda presentes), é preciso reconhecer que o avanço no desenvolvimento de próteses tem sido notável. Ao mesmo tempo, alguns modelos se comportam essencialmente como plataformas eletrônicas que pedem para serem hackeadas, e foi exatamente isso que fez Bertolt Meyer, professor de psicologia, DJ e entusiasta da eletrônica. Graças ao seu módulo Synlimb, ele pode transmitir comandos e controlar um sintetizador modular com uma velocidade muito superior à que sua prótese permitiria.

Um caso que merece atenção

Não são poucos os que transformaram Cyberpunk 2077 em uma espécie de meme com hacks estranhos e truques de eletrônica, mas a ideia central de uma relação muito mais próxima com a tecnologia não é nada absurda, e há casos especiais que merecem nossa atenção e admiração. Um desses casos é o de Bertolt Meyer, professor de psicologia que nasceu sem o antebraço esquerdo. Meyer utiliza uma prótese avançada que funciona perfeitamente, embora sofra de algumas limitações naturais.

Acontece que Meyer também é DJ, e a velocidade de resposta de sua prótese (sem esquecer a falta de precisão ao manipular objetos pequenos) não é totalmente adequada para as rápidas mudanças que um sintetizador modular exige. No entanto, essas mudanças podem ser feitas com pequenas variações de voltagem injetadas por meio de um plug, quase como se fosse um controle remoto. A prótese de Meyer funciona com dois eletrodos que detectam a atividade muscular, e ao registrar seus valores com um multímetro, ele descobriu que eram baixos demais, na ordem de 1,5 volts. O que ele precisava a partir daí era uma forma de amplificar essa voltagem...

Meyer não se considera engenheiro, mas tem certos conhecimentos básicos de eletrônica. O DJ descobriu que a solução estava escondida em seu KOMA Elektronik Field Kit (que qualquer interessado pode adquirir hoje por 230 euros), pois conta com a função de amplificação. Ao entrar em contato com os fabricantes (Wouter e Christian) e explicar o que queria fazer, recebeu uma cópia do circuito em menos de cinco minutos. Meyer conseguiu fabricar um protótipo compatível com um de seus eletrodos, mas a história não termina aí.

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Aproveitando o tempo livre, Christian, da KOMA, decidiu projetar um circuito personalizado para que Meyer pudesse usar os dois eletrodos ao mesmo tempo. O marido de Meyer (Daniel) ficou responsável por criar um suporte com uma impressora 3D, e o resto foi questão de conectar o módulo à prótese (a interface foi extraída de uma mão antiga que não funcionava mais).

Dessa forma, Meyer consegue estabelecer uma ligação entre sua mente e o amplificador, passando pelos músculos, pelos eletrodos e pelo módulo batizado de Synlimb. É claro, ainda é preciso um pouco de prática, mas ele está tão acostumado a gerar sinais com os músculos que o treinamento deve ser mínimo.

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