A PepsiCo saiu em socorro da Coca-Cola Company. A Marvel investiu na DC para melhorar sua posição no mercado. A Microsoft salvou a Apple da falência. Apenas uma dessas expressões é verdadeira… e não envolve super-heróis nem bebidas açucaradas.

A vez que a Microsoft salvou a Apple da falência
A Microsoft salvou a Apple

A Apple não se tornou a empresa mais bem-sucedida do planeta sem passar por um período de absoluta escuridão, e esse período foi em meados de 1997. A maçã tinha apenas 90 dias de vida. Steve Jobs subiu ao palco da conferência Macworld Boston e lançou sobre o público presente a mãe de todas as bombas: um acordo especial de cinco anos com seu eterno arquirrival, Bill Gates.

Bill Gates salvou a Apple, embora você não acredite

Vamos explorar um dos momentos mais sombrios da Apple. O relógio retrocede 25 anos e caímos em agosto de 1997. A maçã estava em crise. Suas vendas haviam caído de 11 bilhões em 1995 para 7 bilhões em 24 meses. O espetacular fracasso de seus CEOs anteriores e múltiplos problemas internos de desenvolvimento levaram à aquisição da NeXT e, claro, ao retorno formal de Steve Jobs.

No entanto, isso não era suficiente. O 'sopro de vida' dos bancos só manteria a Apple por menos de 90 dias, e se nada acontecesse, a falência seria inevitável… mas em 6 de agosto de 1997, na conferência Macworld Boston, Steve Jobs tirou da cartola o maior coelho do mundo: a Microsoft.

Isso mesmo: a Microsoft, a empresa que dominava 90 por cento do mercado e que muitos fãs da maçã viam como responsável direta pela sua delicada situação, estava resgatando a Apple. O histórico acordo incluiu um investimento de 150 milhões de dólares em ações sem direito a voto, que a Redmond se comprometeu a não vender por um mínimo de 36 meses.

Além disso, a eliminação dos processos em andamento, licenças cruzadas para patentes existentes e aquelas que fossem desenvolvidas nos próximos cinco anos, uma colaboração especial em compatibilidade Java, a continuação do Microsoft Office para Mac por um período de cinco anos (algo absolutamente crítico para o mundo corporativo), e a inclusão de Internet Explorer como navegador de fábrica em todos os Macintosh.

O único aspecto que acalmou (até certo ponto) os fãs foi a condição de 'sem voto' nas ações, ou seja, a Apple não estava hipotecando seu futuro no processo. Agora, a pergunta é… por quê? Depois de uma competição brutal e trocas tão amargas, por que a Microsoft deu à Apple um tubo de oxigênio?

Precisamos deixar para trás essa noção de que, para a Apple vencer, a Microsoft tem que perder. - Steve Jobs
A vez que a Microsoft salvou a Apple da falência
Irrepetível.

Uma das chaves para entender isso é '1997'. A Microsoft estava no topo do mundo, e para trás haviam ficado seus humildes escritórios dos anos 70, mas a reputação de Bill Gates naquela época não era exemplar (nem no início, quando acusava os hobistas de ladrões). A FTC já tinha grande interesse nas práticas da Redmond, e o conflito com a Netscape (que a Microsoft essencialmente aniquilou) estava em um de seus pontos mais quentes.

Gates não queria sua empresa dividida, e ao salvar seu grande concorrente, enviava a mensagem de que não era um monstro monopolista. Claro que isso não evitou os interrogatórios oficiais, as críticas constantes (inclusive do próprio Bill para sua equipe) e os ataques em público, mas Gates e a Microsoft conseguiram escapar do fogo governamental com danos mínimos.

O que aconteceu com as ações? Primeiro, elas foram convertidas em ações ordinárias (eliminando o rótulo de 'sem voto') e depois as vendeu em 2003, sob recomendação dos assessores jurídicos. Qual seria o valor dessas ações hoje? Considerando os dois splits e o processo de conversão… 55 bilhões de dólares.