O Twitter atingiu um dos seus pontos mais baixos com a proliferação de campanhas sujas, notícias falsas e outros conteúdos diretamente associados à política, com especial ênfase na americana. Alguns perfis passam o tempo despejando informações, e a primeira hipótese é que sejam bots programados. O Twitter não está fazendo nada para separar os usuários reais dos artificiais; por isso, dois estudantes da UC Berkeley decidiram responder com uma extensão do Google Chrome chamada Botcheck.me, que avalia perfis na tentativa de determinar se são um bot ou não.
O Twitter virou um campo de batalha político
Desde há algum tempo, o Twitter abandonou sua posição de rede social para se tornar um campo de batalha político. Não há funcionário, dirigente, ativista ou militante que não tenha um perfil lá, além do jornalismo encarregado de coletar tudo o que publicam. A qualidade da mensagem ou sua veracidade já não é relevante. A ideia é repetir até a exaustão, alcançar todos os cantos e ser passional no processo: a mecânica da «pós-verdade» em sua forma mais pura. Mas o Twitter também possibilitou uma mudança nas regras: esses perfis podem publicar 24 horas por dia, sem pausa. Não é estranho imaginar que uma conta tenha mais de um administrador, porém, há outro recurso disponível: os bots.
Infelizmente, o Twitter não realiza nenhuma identificação ativa que nos permita separar bots de contas reais (nem é muito simples) e é aí que entra o Botcheck.me. Trata-se de uma extensão compatível com o Google Chrome desenvolvida pelos estudantes da UC Berkeley Ash Bhat e Rohan Phadte. Aplicando um sistema avançado de aprendizado de máquina, o Botcheck.me busca expor os bots que distribuem propaganda política. Isso significa que seu modelo de inteligência artificial não é tão bom em detectar bots que compartilham outro tipo de conteúdo, mas se for algo relacionado a Donald Trump, Hillary Clinton, republicanos, democratas ou Rússia, é bem provável que os encontre.
Precisão e desafios
O Twitter insiste que os bots ocupam 5% da plataforma, mas pesquisadores externos como Bhat e Phadte acreditam que sua presença é dez vezes maior. Falando em precisão, o número que eles compartilham para Botcheck.me é de 93,5%. Ainda assim, o desafio é muito mais complicado do que parece. Alguns bots têm a capacidade de responder a mensagens privadas, e nunca faltam perfis híbridos, que combinam bots com intervenção humana. Talvez não seja muito útil para nós, mas o Botcheck.me é simplesmente necessário nestes tempos.