A Coreia do Sul selecionou, em agosto de 2026, três consórcios liderados por SK Telecom, Kakao e KT para desenvolver o AI for All Project, um plano que prevê um chatbot de uso geral gratuito e sem limite de uso, além de um agente de IA para serviços públicos. O lançamento nacional foi planejado para ocorrer ainda em 2026, depois de uma fase beta.
A iniciativa do Ministry of Science and ICT (MSIT) combina acesso amplo à inteligência artificial com uma política industrial: os serviços subsidiados deverão funcionar principalmente com modelos desenvolvidos na Coreia do Sul. O governo também planeja entregar 512 GPUs NVIDIA B200 aos consórcios durante 2026 e apoiar os custos de prestação do serviço a partir de 2027.
A Coreia do Sul quer transformar a IA em serviço público
O chatbot planejado foi concebido para tarefas de uso geral, com acesso gratuito e sem limite de uso segundo o plano do MSIT. A proposta faz parte de uma visão mais ampla de acesso universal à IA, aplicada ao trabalho, à educação e à vida cotidiana.
O projeto não se limita a oferecer uma janela de conversa. O AI for All também prevê um agente público capaz de localizar benefícios e serviços governamentais, explicar procedimentos e ajudar os cidadãos a enviar solicitações. Reservas e pagamentos aparecem como usos planejados para etapas posteriores.
Modelos nacionais ficam no centro do projeto
Cada serviço participante deverá usar pelo menos 50% de um modelo soberano desenvolvido na Coreia do Sul que atenda aos critérios do governo. Outros 30% deverão vir de modelos nacionais desenvolvidos por empresas diferentes da responsável pelo serviço.
Na prática, os dois requisitos reservam pelo menos 80% da operação para modelos sul-coreanos, embora o plano apresente as duas parcelas separadamente. Modelos estrangeiros poderão ser usados quando forem considerados minimamente necessários, mas essa parte não receberá subsídio governamental.
A escolha também explica por que o projeto é mais do que uma oferta de chatbot: ele cria demanda pública para modelos locais e reduz a dependência de plataformas estrangeiras dentro dos serviços financiados pelo Estado.
Como os consórcios pretendem levar a IA à população
Os três grupos selecionados pelo MSIT propõem portas de entrada diferentes para o mesmo programa público:
| Consórcio líder | Acesso ou integração planejada | Função pública prevista |
| SK Telecom | Aplicativos, web, chamadas telefônicas e mensagens de texto | Localizar benefícios, explicar procedimentos e ajudar em solicitações |
| Kakao | Messenger da Kakao e um serviço de chamadas com a participação da LG U+ | Localizar benefícios, explicar procedimentos e ajudar em solicitações |
| KT | Integrações com Daum, comunicações, mídia, IPTV e serviços parceiros | Localizar benefícios, explicar procedimentos e ajudar em solicitações |
O MSIT avaliou seis candidaturas antes de escolher os três consórcios. A variedade de canais indica uma tentativa de colocar o agente público em serviços que as pessoas já usam, em vez de concentrar o acesso em um único aplicativo.
O que significa “grátis e ilimitado”
No plano oficial, “grátis” significa que o chatbot de uso geral não cobrará dos usuários. “Ilimitado” descreve a intenção de oferecer o serviço sem limites de uso. O documento não detalha como essa promessa funcionará em termos técnicos, como disponibilidade, controle de tráfego ou regras de uso justo.
O calendário divulgado previa uma fase beta no fim de setembro de 2026 e uma expansão nacional ainda em 2026. A partir de 2027, o MSIT planeja custear a operação necessária para atender toda a população e continuar aprimorando os agentes de IA.
A aposta envolve infraestrutura e governança
Os 512 aceleradores NVIDIA B200 planejados para 2026 formam a parte mais concreta do apoio de infraestrutura anunciado para os consórcios. O financiamento operacional previsto para 2027 pretende sustentar a entrega do serviço em escala nacional.
A dimensão do projeto também amplia as preocupações que acompanham qualquer implantação generalizada de IA: empregos, dependência de automação, ataques cibernéticos, deepfakes e vieses algorítmicos. Esses riscos fazem parte do debate sobre a expansão da tecnologia e não constituem resultados já atribuídos ao AI for All.
O vice-primeiro-ministro e ministro responsável pelo setor de ciência e tecnologia, Bae Kyung-hoon, descreveu a iniciativa como uma infraestrutura para trabalhar, estudar e viver na era da IA. A execução do plano dependerá da combinação entre modelos nacionais, canais de acesso e o agente destinado aos serviços públicos.