David Gewirtz diz ter criado o app para Mac Icon Gallery ’97 com Claude e Claude Code sem escrever código. Seu relato inclui 502 instruções, testes, depuração e preparação para a App Store — um caso concreto de desenvolvimento assistido por IA, com bastante trabalho humano pelo caminho.

De um acervo de ícones à ideia de um app

A coleção original Icon Gallery foi criada em 1997 como uma caixa com três volumes e mais de 2.000 ícones coloridos de 32 × 32 pixels, segundo Gewirtz. Anos depois, ele recuperou um arquivo de Macromedia Director com 2.338 ícones. Claude extraiu mais de 2.000 imagens PNG desse arquivo em quatro minutos e 30 etapas, de acordo com o desenvolvedor.

A extração abriu caminho para outro projeto: um app que permitisse navegar pelos desenhos e redimensioná-los. Gewirtz combinou Claude Desktop, para discutir a estratégia, com Claude Code, usado no desenvolvimento. O aplicativo passou a permitir também recolorir e organizar ícones, além de exportá-los para uso como emojis no Slack.

Os números correspondem a etapas diferentes do projeto: Gewirtz afirma que 2.146 ícones foram incluídos no app. O acervo recuperado tinha 2.338.

502 instruções em quatro dias ativos

Gewirtz diz que deu ao Claude Code 502 instruções individuais ao longo de quatro dias ativos. Eram dias de interação com a ferramenta, não quatro jornadas completas de trabalho. Ele afirma que não escreveu código, mas conduziu o projeto, avaliou resultados e pediu mudanças ao longo do processo.

A cronologia que descreve começa em 20 de setembro, quando teve a ideia, e segue até 27 de setembro, quando enviou o app à Apple. O ano dessas datas não é indicado. Gewirtz diz que recebeu a aprovação quatro dias após o envio.

Os ícones podiam ser redimensionados de 32 × 32 a 1.024 × 1.024 pixels. Para desenhos com bordas bem definidas, esse tipo de ampliação exige cuidado: ao escalar em etapas inteiras, os contornos pixelados permanecem nítidos, conforme a descrição do projeto.

Testes e depuração fizeram parte do trabalho

Além de desenvolver recursos, Gewirtz relata ter testado como o app lidava com os arquivos dos ícones. Ele diz que reuniu os desenhos em um único arquivo criptografado e embaralhado, com os dados sendo recuperados quando solicitados. Para testar o processo, corrompeu cópias e comparou os resultados decifrados com os arquivos originais.

A depuração também revelou problemas de desempenho. Gewirtz identificou lentidão ao gerar prévias a partir de imagens em tamanho integral e uma rotina que reconstruía a janela 482 vezes durante uma solicitação de redimensionamento. São problemas específicos encontrados naquele projeto, não uma medida geral do desempenho de Claude Code.

A publicação exigiu mais do que gerar código

A preparação para a loja incluiu revisar os desenhos. Gewirtz diz que retirou da coleção um logotipo da Caterpillar, um rosto parecido com Charlie Brown e ícones de tiros enquanto preparava o envio do app.

Os materiais promocionais também ficaram por conta dele: segundo seu relato, levou três dias para produzi-los manualmente no Photoshop, depois de considerar inadequados os resultados de Claude, Gemini e ChatGPT.

Na etapa de testes de distribuição, Gewirtz afirma ter enviado 21 versões ao TestFlight em uma quarta-feira. A Apple recusou a 22ª e exigiu uma espera de um dia, o que atrasou o projeto. Depois, segundo ele, o app foi aceito quatro dias após o envio de 27 de setembro.