O escândalo da a "autodestruição" das impressoras HP que usam cartuchos alternativos não se dissipou, e enquanto milhares de usuários reclamam algum tipo de intervenção ou investigação oficial, agora se soma uma carta aberta redigida pela Electronic Frontier Foundation. Nela, a empresa é chamada a se desculpar publicamente, a restaurar a funcionalidade de suas impressoras, a não usar atualizações de segurança como DRM e a revelar todas as mudanças que seus patches apliquem no futuro.
A sensação de "outra vez o mesmo" paira no ar. Os atritos entre a Hewlett-Packard e seus clientes foram vários nos últimos anos, e fica cada vez mais claro que a empresa não tem intenções de modificar sua estratégia. Ainda assim, o incidente do temporizador em suas atualizações de firmware que destrói impressoras com cartuchos alternativos foi a gota d'água. Não importam quais sejam os argumentos ou as razões da HP, aos olhos dos usuários isso é um ato de sabotagem. Logicamente, quem se juntou ao protesto é a Electronic Frontier Foundation. Em uma carta aberta dirigida ao CEO e presidente da Hewlett-Packard, Dion Weisler, a EFF ressalta quais foram os erros da empresa ao colocar em prática seu "firmwaregate", e recomenda uma série de medidas urgentes para corrigir a situação.
A carta da EFF
A carta da EFF ataca vários pontos críticos que expõem a fragilidade por trás do raciocínio da HP. O fato de "amarrar" produtos entre si (neste caso, impressoras HP com tintas HP) só leva a uma estrutura de preços monopolista, reduz a concorrência e a inovação no mercado. Em outras palavras, os usuários deveriam escolher as tintas HP por serem as melhores, não porque suas impressoras são incapazes de funcionar com tintas alternativas. Também menciona o abuso por parte da HP ao utilizar sua plataforma de segurança para distribuir DRM. As impressoras são cada vez mais complexas e exigem atualizações como o restante do sistema, mas a única coisa que o temporizador conseguiu foi que, a partir de agora, os usuários "desconfiem" dessas atualizações e, por extensão, fiquem vulneráveis a novos ataques. Por fim, o texto da EFF acusa a HP de adotar uma tática de "cebo e anzol", já que o temporizador levou seis meses para ser ativado, e de ameaçar invocar a seção 1201 da DMCA, que proíbe o desenvolvimento de técnicas para evitar ou contornar as medidas de segurança em um sistema protegido por copyright.
As cinco exigências
Portanto, a EFF "sugere" à HP que coloque em prática imediatamente os seguintes cinco pontos: se desculpar publicamente com seus clientes e restaurar a funcionalidade original das impressoras afetadas com uma nova atualização de firmware, comprometer-se a nunca mais usar sua plataforma de segurança para distribuir mecanismos que vão contra os interesses dos usuários, revelar os efeitos de todas as atualizações futuras, expor qualquer capacidade ou intenção de remover funções de um dispositivo (para que os consumidores saibam disso antes de comprar) e prometer que nunca invocará a seção 1201 do DMCA. Acredito que antes que isso aconteça vamos descobrir a equação da fusão a frio dentro do Santo Graal, mas nem tudo está perdido. Os usuários sempre têm a opção de votar com o bolso, e na web não se cansam de sugerir as impressoras laser Brother como uma boa alternativa à loucura do DRM que existe no mercado de tinta. Outra opção muito viável seria a criação de uma impressora open source. Se já podemos imprimir em 3D com essa filosofia, imagino que uma folha de papel deva ser mais simples...