As palavras do ex-Mozilla Robert O’Callahan sobre a situação atual dos antivírus e sua sugestão de adotar apenas o Windows Defender trouxeram à tona um conflito que já vem se gestando há muito tempo. As diferenças entre os desenvolvedores de navegadores web e antivírus são enormes, e agora é a vez de Justin Schuh, um engenheiro que trabalha na segurança do Google Chrome. De acordo com suas palavras, o Windows Defender é o único que se comporta de forma correta, ao não quebrar nenhum mecanismo de segurança do Chrome.
O mundo do software já tem muitos exemplos de debates que se transformaram em discussões acaloradas e depois caíram na categoria de flamewar termonuclear. A verdade é que ninguém sai ganhando de um conflito com essas características, e o ideal seria que ele parasse antes do tempo para encontrar uma solução robusta. Até aqui, tudo indica que o debate mais recente com potencial de flamewar é o que confronta os desenvolvedores de navegadores web com os responsáveis pelas principais soluções de segurança. O primeiro tiro foi dado por Robert O’Callahan, ex-funcionário da Mozilla, que recomendou diretamente ignorar todos os antivírus feitos por terceiros no Windows 8.x ou superior e manter o Windows Defender.
Agora, o segundo tiro vem de uma frente inesperada. Por meio de vários tweets em sua conta pessoal, o engenheiro Justin Schuh, responsável pela segurança do Google Chrome, seguiu a linha de O’Callahan ao destacar que o Windows Defender é o único antivírus com bom comportamento. O que isso significa? Basicamente, que ele não quebra nenhum dos mecanismos de segurança integrados ao Chrome, algo que acontece com bastante frequência em outros antivírus que instalam extensões ou adicionam seus próprios certificados. Schuh também disse que o Windows Defender segue uma aparente regra de “não farás mal”, e outros colegas confirmaram que “têm os dados” para respaldar essas declarações.
É claro que isso deixa as portas abertas para que mais engenheiros que trabalham em outros navegadores (Opera, Vivaldi, Safari, Edge e Internet Explorer) somem suas opiniões. Pessoalmente, acho incomum encontrar algo parecido com uma frente unida em matéria de segurança, mas é evidente que os responsáveis pelos navegadores web acumularam um pouco de frustração com o passar do tempo. Outra coisa que também precisamos são respostas de quem cria os antivírus. Por que existem diferenças tão grandes? Como elas podem ser corrigidas? A integridade de nossas vidas digitais está em jogo.