Qualquer bug em uma peça de hardware ganha um lugar nas notícias automaticamente, não apenas por sua raridade, mas também por seu potencial de dano. Em muitos casos, as falhas podem ser corrigidas ou contidas por meio de uma atualização de BIOS e/ou firmware; no entanto, desta vez não será suficiente. Microservidores, roteadores, firewalls, unidades NAS e outros dispositivos semelhantes têm caído como moscas nos últimos meses, e todas as setas apontam para um problema na série C2000 dos processadores Atom que a Intel lançou em 2013.
A história começou com o relatório de ganhos da Intel para o último trimestre de 2016. O gigante de Santa Clara teve um ano financeiramente sólido, mas o chamado Grupo de Data Centers registrou uma queda de 14% devido a um certo «problema de qualidade» em um de seus produtos. Informações adicionais revelaram que o problema se manifestou por meio de falhas detectadas em uma série específica de processadores, e embora o relatório sugira uma «correção menor» no design, esse grupo em particular foi forçado a criar uma reserva adicional (leia-se «fundo de emergência») para lidar com a situação.
A série afetada é a Intel Atom C2000, que possui variantes com dois, quatro e oito núcleos. Esses SoCs são usados em plataformas com alta integração, desde microservidores e unidades NAS até firewalls, roteadores e outros dispositivos de rede. A princípio, as falhas não sugeriam um problema de silício, e as empresas afetadas mantiveram um estranho silêncio de rádio na hora de confirmar ou negar a relação entre o bug e os processadores (talvez devido a um acordo de confidencialidade forçado pela Intel), mas havia um dado consistente: os equipamentos paravam de funcionar aproximadamente aos 18 meses. Nesse ponto, os engenheiros começaram a suspeitar de uma possível degradação, o que levou às saídas no barramento de clock LPC (Low Pin Count). Quando os sinais de clock LPC_CLKOUT0 e/ou LPC_CLKOUT1 (não é necessário que ambos falhem) deixam de funcionar, o sistema é incapaz de reiniciar corretamente.
Em outras palavras, os Atom C2000 são uma bomba-relógio. É possível corrigir? Agora que o problema foi identificado, a resposta é obviamente sim, mas o processo não é nada simples. Os chips Atom C2000 são BGA, ou seja, qualquer reparação exigirá um trabalho direto na placa-mãe, ou sua substituição completa. Aaeon, ASRock, Cisco, Dell, HP, Infortrend, iXsystems, Lanner, NEC, Newisys, Netgate, Netgear, Quanta, Seagate, Sophos, Supermicro, Synology e ZNYX Networks são algumas das empresas que usam o C2000 em seus produtos. Até agora, o «controle de danos» tem sido decepcionante. Esperamos que eles instalem programas de substituição de longo prazo. O hardware afetado não é exatamente barato...