Processadores modificados não são nenhuma novidade hoje em dia. Uma simples busca no AliExpress confirma a existência de várias mutações com chips móveis e hardware de servidor. No entanto, o processador desta história remonta ao fim dos anos 90, época em que a Intel dominava o universo do PC com seus Pentium II. É o Genesys B52 MMX, lançado no mercado italiano pela companhia homônima. A carcaça branca brilhante e a compatibilidade pin-a-pin com o Slot 1 levam a uma pergunta simples: de onde saiu essa coisa?
As origens
Segundo a história, a Genesys foi fundada em Monopoli (Bari, Itália) por Marcello Console em 1998. A estratégia comercial da companhia se baseava na modificação de processadores Pentium II com núcleo Deschutes, segunda geração de 0,25 mícron, embora as informações disponíveis sugiram a existência de algumas unidades Klamath de 0,35 mícron.
O Genesys B52 MMX chegou ao mercado em quatro frequências — 300, 350, 400 e 450 MHz — com desconto considerável sobre os equivalentes da Intel. Por exemplo, o B52 de 450 MHz custava o equivalente a US$ 450 de 1998, enquanto o Pentium II de 450 MHz valia US$ 669. A diferença chamava atenção, mas a Genesys também prometia “três anos de garantia e 5 por cento de desempenho extra”. Qual era o truque?
Genesys B52 MMX: “Overclocking à venda”
Um dos primeiros reviews do Genesys B52 MMX-450 indica que a estrutura interna é idêntica à do Pentium II de 300 MHz com núcleo Deschutes da série SL2W8, que aparentemente é um processador OEM por não trazer dissipador de fábrica (a versão “boxed” é a SL2YK).
Isso faz todo sentido: os processadores Intel com FSB de 66 MHz eram populares pela facilidade de overclocking (sobretudo o Celeron 300A). No caso específico, a Genesys só precisava pegar um Pentium II-300 e mudar o FSB de 66 para 100 MHz, mantendo o multiplicador 4,5.
Outro review antigo do portal hwupgrade.it sugere uma hipótese mais extrema: a Genesys estaria reaproveitando núcleos Celeron Mendocino com a cache interna desabilitada (ou defeituosa) e instalando-os em PCBs com memória cache L2 produzida pela NEC, formando um “híbrido” de 450 MHz.
Uma terceira possibilidade, baseada em mensagens antigas de um grupo italiano de overclocking no Usenet, sugere que a Genesys teria encontrado um jeito de alterar o FSB e os multiplicadores nos processadores Pentium II. Infelizmente, é impossível confirmar ou negar isso sem acesso físico a um desses chips. Mas a história não termina aí: a memória cache L2 do Genesys B52 MMX era mais rápida que a do Pentium II, entre 8 e 10 por cento.
A chave estava nos timings da memória cache L2. A Genesys vendia tanto processadores avulsos quanto computadores completos. Quem comprava um PC recebia todas as modificações aplicadas pela empresa. Já quem comprava um processador “solto” precisava confirmar a compatibilidade com a placa-mãe e enviar uma cópia do BIOS à Genesys por e-mail, para edição e posterior flash. O site oficial passou a oferecer alguns BIOS modificados para as placas Slot 1 mais populares, incluindo clássicos da Abit e da Asus.
A Intel tinha uma ou duas coisas a dizer...
Obviamente, a Intel não gostou nem um pouco da situação na Itália e abriu processo contra a Genesys. Modificar um processador ou criar uma nova carcaça não era ilegal, e também não se tratava de falsificação. Mas a Intel concentrou-se no uso de “MMX”, que é uma marca registrada. Em fevereiro de 1999, a corte decidiu a favor da Intel. A Genesys retirou o “MMX” sem demora, e a quantidade de processadores afetados não passou de 150.
Numa segunda fase legal, a Intel tentou atacar a modificação de BIOS, mas não prosperou. Por fim, a empresa voltou à Justiça em junho de 1999 e pediu US$ 1,4 milhão em danos. Agora, um detalhe: a Intel estava no auge. AMD, UMC, Cyrix... a Intel processou todo mundo. Brigar com uma empresa italiana e levá-la à extinção não lhe tiraria o sono. Como disse o artigo original, a Genesys venceu as batalhas, mas perdeu a guerra, e o Genesys B52 MMX se tornou uma peça de coleção fabulosa.
Fonte: CPU Shack