Executar Linux em um dispositivo costuma ser o primeiro passo para qualquer objetivo que o usuário tenha em mente, mas o pinguim não escapa da própria evolução. O Linux terminou o suporte para muito hardware nos últimos anos, favorecendo plataformas mais robustas, rápidas e seguras. Mas isso não impede a pergunta: qual é o computador mais antigo que pode receber uma versão moderna do Linux? O engenheiro Yeo Kheng Meng decidiu descobrir.
Já vimos o Linux funcionando nos lugares mais estranhos. Roteadores modificados e smartphones são apenas a ponta do iceberg. Os entusiastas não descansam, e a melhor parte é que todo o esforço acaba publicado para que outros possam reproduzir. Ao mesmo tempo, uma expressão comum é que o Linux pode revitalizar um computador antigo e dar alguns anos extras de vida fora do universo Windows. A dúvida é: quão antigo esse computador pode ser? A resposta depende do número e do tipo de compromissos que estamos dispostos a fazer, mas se o plano é limitar-se a uma versão nova do Linux, o engenheiro Yeo Kheng Meng já fez o teste.
O resultado final é um computador 486 com Gentoo Linux. Anteriormente, ele havia instalado o Damn Small Linux nesse hardware, mas o último build estável desse sistema é de 2008, e seu kernel é antediluviano. O kernel Linux abandonou o suporte 386 com a versão 3.8 em 2013, seis anos após a Intel encerrar a produção oficial. O problema é que o que é estabelecido no nível do kernel não aparece necessariamente refletido no nível da distribuição e dos pacotes. Por exemplo, o Debian dispensou os chips 586 em 2016, marcando como nova base mínima os Pentium Pro. É aí que entra o Gentoo: como o código é compilado localmente com os parâmetros especificados pelo usuário, Yeo Kheng Meng conduziu o processo de compilação em um laptop Thinkpad T430, habilitou a flag 486 e, após lutar por um bom tempo, obteve um ambiente estável...
…que não deixa de ser um pesadelo, porque esse Gentoo hiper personalizado leva quase 11 minutos para iniciar. Sim, 11 minutos! Mesmo com um clone 486 da AMD rodando a 133 MHz e 64 megabytes de RAM (uma loucura para qualquer computador no início dos anos 90), é possível assistir a um mini documentário enquanto a carroça chega ao destino. Ainda assim, apreciamos o experimento.