Em 21 de setembro, foram divulgadas novas declarações de John Ternus sobre o iPhone Duo, a Siri e os rumos da Apple. O CEO disse que o dobrável foi pensado para entregar uma experiência de tela grande inspirada no iPad quando aberto — e afirmou que sua chegada ao comando da empresa não representa uma ruptura radical na estratégia.

O que John Ternus explicou sobre o iPhone Duo

A ideia central de Ternus é simples: a Apple não quis apenas unir dois celulares convencionais e formar uma tela quadrada. Segundo ele, o objetivo foi criar uma experiência ampla que parecesse natural quando o aparelho estivesse aberto, aproveitando a referência acumulada pela empresa com o iPad.

Ternus também disse que a Apple desenvolveu uma nova proporção de tela para o iPhone Duo. A escolha ajuda a explicar por que o produto foi apresentado como uma experiência própria dentro da linha iPhone, e não apenas como mais um formato dobrável.

A interação de abertura também recebeu atenção. Ternus citou como um de seus detalhes favoritos a animação que percorre o aparelho de um lado ao outro enquanto ele se abre. É um toque de interface, não uma nova categoria de recurso — mas resume bem a preocupação da Apple em fazer o hardware e o software parecerem parte do mesmo gesto.

Por que a Apple escolheu uma tela aberta com inspiração no iPad

John Ternus explica a filosofia de design do iPhone Duo e a experiência de tela grande inspirada no iPad

A resposta de Ternus passa pela proporção da tela. Para ele, uma tela grande precisa manter uma forma coerente quando aberta, em vez de simplesmente ampliar o desenho de um telefone tradicional. O iPad aparece como referência porque a Apple já trabalha há anos com dispositivos voltados a uma área de visualização maior.

Essa decisão coloca o iPhone Duo em uma posição diferente dentro do catálogo da Apple. O aparelho busca combinar a mobilidade de um iPhone com uma experiência de tela maior quando aberto, enquanto o formato convencional continua atendendo quem prefere um telefone sem essa transformação física.

Ternus resumiu a filosofia de lançamento da Apple em outra entrevista: a empresa envia seus produtos quando eles estão prontos. No caso do iPhone Duo, essa ideia aparece ligada à tentativa de chegar a um formato que a companhia considera adequado, em vez de seguir apenas o calendário de outras fabricantes.

Dobradiça, tela e confiabilidade foram desafios de engenharia

Ternus afirmou que o desenvolvimento do iPhone Duo envolveu muitos problemas. Entre os pontos citados por ele estão o projeto da dobradiça, a engenharia da tela e a confiabilidade do aparelho.

Esses três elementos concentram boa parte da dificuldade de um dobrável. A dobradiça precisa permitir o movimento de abertura; a tela precisa acompanhar esse movimento; e o conjunto deve manter um funcionamento consistente ao longo do uso. Ternus apresentou esses pontos como áreas importantes do trabalho de desenvolvimento da Apple.

A animação de abertura, por sua vez, mostra como a empresa trata o gesto físico como parte da experiência do sistema. No discurso do CEO, o iPhone Duo não é apenas uma tela que muda de tamanho: é um produto em que a transição entre fechado e aberto também faz parte da linguagem do aparelho.

Siri não foi projetada para ser uma amiga

Ao falar sobre inteligência artificial, Ternus disse que a Siri “não foi projetada para ser sua amiga”. Ele também afirmou que a Apple não quer que a assistente substitua os relacionamentos humanos.

A posição coloca a Siri no papel de ferramenta, não de companhia artificial. Para Ternus, são as relações entre pessoas que ajudam a aprender, crescer e encontrar alegria. É uma distinção importante em um momento em que empresas de tecnologia discutem assistentes capazes de conversar por longos períodos e assumir um tom cada vez mais pessoal.

Ternus não anuncia uma ruptura radical na Apple

John Ternus se tornou CEO da Apple em 1º de setembro de 2026, sucedendo Tim Cook, que passou a ser presidente executivo do conselho. A mudança foi anunciada pela Apple em 20 de abril, mas a transferência do cargo só entrou em vigor na data de setembro.

A trajetória de Ternus ajuda a explicar o tom de continuidade. Ele entrou na equipe de design de produtos da Apple em 2001, tem formação em Engenharia Mecânica pela University of Pennsylvania e disse que trabalha na empresa há 25 anos.

Questionado sobre uma possível mudança de rumo, Ternus afirmou que o foco da Apple em inovação, produtos e clientes não mudou. Ele também rejeitou a descrição de sua liderança como uma transformação radical. O novo CEO se apresenta, portanto, como alguém que pretende continuar construindo produtos, não como o responsável por abandonar a fórmula da companhia.

Duas prioridades diferentes dentro da linha iPhone

John Ternus compara o iPhone Duo e o iPhone 18 Pro e explica a filosofia de lançamento da Apple

Na comparação feita por Ternus, o iPhone Duo e o iPhone 18 Pro atendem a prioridades diferentes:

ModeloExperiência principalPrioridade associada
iPhone DuoTela grande em um formato dobrávelExperiência de visualização ampla
iPhone 18 ProExperiência convencional de iPhoneDesempenho máximo e recursos de câmera

A separação é qualitativa: Ternus descreveu o Duo como uma escolha para quem busca uma experiência maior de tela e o iPhone 18 Pro como uma opção voltada ao desempenho e às câmeras. Ele comparou essa diferença aos papéis distintos do MacBook Air e do MacBook Pro dentro da linha de notebooks da Apple.

O retrato que emerge das entrevistas é o de uma Apple tentando ampliar o formato do iPhone sem abandonar sua lógica de integração entre hardware e software. Ternus chegou ao cargo de CEO, mas sua própria descrição da empresa aponta para continuidade: inovação centrada em produtos e clientes, agora com o iPhone Duo como uma das expressões dessa estratégia.