Qualquer entusiasta que deseje uma placa AdLib original terá que pagar centenas de dólares por ela. Se procura uma placa Gravis, o número pode ser ainda maior. Mas nenhuma delas se qualifica como a 'primeira' em sua classe, e o certo é que existiram soluções de som mais raras. Uma delas foi a Mindscape Music Board, criada pela equipe da Mindscape para seu aplicativo Bank Street Music Writer. The Oldskool PC acabou de publicar um documentário dedicado a essa placa, no qual rastreia suas origens e compartilha algumas entrevistas muito valiosas…
1985. Inventava-se o DNS, Michael e Lionel gravavam We Are The World, Gorbachev assumia o controle da União Soviética, Studio Ghibli era fundado, e o NES invadia os Estados Unidos. Mas em algum momento desse mesmo ano, também chegava às prateleiras Bank Street Music Writer, um aplicativo musical criado por Glen Clancy e desenvolvido pela equipe da Mindscape, que conhecemos muito melhor por Lego Island.
Mindscape Music Board: explorando o "Far West" do áudio para PC nos anos 80
O documentário do The Oldskool PC explica que o Music Writer tinha versões para Atari, Commodore 64, Tandy, IBM PCjr, Apple II e IBM PC, mas esses dois últimos sistemas arrastavam um problema: seus sistemas de som eram muito limitados, ou diretamente inexistentes. O Apple II encontrou um atalho na forma do Mockingboard, um módulo desenvolvido por Rod Nakamoto (que fez seus primeiros protótipos em uma banheira para conter os produtos químicos) e distribuído pela Sweet Micro Systems.
Uma das edições do Music Writer para Apple II incluía apenas o software, enquanto outra vinha com o módulo Mockingboard no mesmo pacote. O próximo passo, de longe o mais lógico, era solicitar à Sweet Micro Systems um equivalente ao Mockingboard compatível com IBM PC, mas os donos da empresa se recusaram (mesmo quando Nakamoto já tinha o protótipo pronto). A única opção para a Mindscape era criar seu próprio clone do Mockingboard no PC. Isso os levou a entrar em contato com o engenheiro elétrico Thomas Durgavich da DuraLogic, e o resultado… foi a placa Mindscape Music Board.
Assim como o Mockingboard, a placa gera seis vozes com a ajuda de dois chips General Instrument AY-3-8913, familiares da série AY-3-8910, muito popular em fliperamas (Gyruss vem à mente), nos consoles Intellivision e Vectrex, no Amstrad CPC e no ZX Spectrum 128. Seu design é simples e relativamente fácil de reproduzir, mas, ao obter o clock do barramento ISA, tem certa sensibilidade a mudanças de velocidade. Ao mesmo tempo, o Mindscape Music Board funciona em mono e não é compatível com síntese de voz.
Isso mal cobre metade do documentário, e definitivamente recomendo assisti-lo por completo, mas resta apenas um detalhe para compartilhar: incluir suporte para a Mindscape Music Board em emuladores não deveria ser complicado (isso também alcança o projeto PicoGUS), e já existem clones do PCB por aí…
Fonte: Hackaday