A missão Mars Express, da Agência Espacial Europeia, tem como objetivo estudar o planeta vermelho como um todo, do interior à atmosfera, incluindo superfície e clima. O MARSIS é um de seus principais instrumentos e foi ele que detectou a presença de água líquida em Marte há alguns anos. Agora, por que o MARSIS voltou às notícias? Porque, depois de 19 anos, recebeu uma atualização de software, que foi originalmente projetado sob o Windows 98...
Se você quiser instalar o Windows 98 em um computador hoje, precisa se preparar para uma verdadeira aventura arqueológica. Você terá que desenterrar drivers e versões antigas de software popular, procurar patches modificados por entusiastas e cruzar espadas com Service Packs não oficiais que, em um mau dia, podem fazer tudo voar pelos ares. O Windows 98 apresenta desafios inesperados até mesmo em ambientes virtuais, com erros estranhos e funcionalidade limitada.
Agora, imagine o Windows 98 como uma ferramenta obrigatória para fazer seu trabalho. Foi o que aconteceu com os responsáveis pelo instrumento MARSIS (Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionospheric Sounding), a bordo do módulo orbital da missão Mars Express. Com o objetivo de melhorar o desempenho e a eficiência do MARSIS, o engenheiro Carlo Nenna, da Enginium, e uma equipe do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica) criaram uma nova atualização de software, desenvolvido originalmente em um ambiente especial sobre o Windows 98.
Atualizando software marciano, feito em Windows 98
Um pouco de contexto: a menos que se autorize uma nova extensão, a Mars Express poderá continuar com suas operações até 31 de dezembro de 2022. O satélite está há quase 19 anos coletando informações muito valiosas sobre Marte e é a segunda missão orbital mais antiga que ainda funciona no planeta, depois da Mars Odyssey.
Andrea Cicchetti, administrador de operações do INAF e uma das mentes por trás do MARSIS, explica que, com a atualização, buscam "levar o desempenho do instrumento além", cruzando algumas das limitações exigidas no início da missão. Por exemplo, ao estudar as principais características de Marte e seu satélite Fobos, a técnica utilizada gera uma grande quantidade de dados em alta resolução, enchendo rapidamente a memória integrada.
Com a ajuda do novo software e um processo mais inteligente de descarte, o MARSIS pode ampliar suas varreduras de exploração em cinco vezes ou mais. Muitas regiões do polo sul marciano sugerem a presença de água líquida, mas os dados disponíveis são de baixa resolução. Com o update, poderão revisar e atualizar todas essas regiões mais rápido.
Em resumo: engenheiros de software e especialistas em missões espaciais enfrentaram os caprichos de um software feito sobre o Windows 98 e venceram. Se isso dependesse da Microsoft, o satélite acabaria com a barra do Bing ou algo assim...
(Nota do editor: muitos sites relataram que a sonda está executando o Windows 98, mas a publicação oficial não sugere isso em nenhum momento.)
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