A Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética esteve a ponto de ficar muito quente em várias ocasiões. No entanto, apesar dos conflitos diplomáticos e das guerras indiretas travadas por ambos os estados, Washington e Moscou contavam com uma via direta de contato: o popularmente chamado «Telefone Vermelho». Além das diferenças ideológicas, dos interesses geopolíticos e dos rancores que surgiram com o passar dos anos, ambos os lados estavam de acordo que o inimigo principal era a falta de informação, e, para combatê-lo, utilizou-se a tecnologia mais estável em matéria de comunicações.
Em 14 de outubro de 1962 o major Richard Heyser, da Força Aérea dos Estados Unidos, tirou mais de 900 fotografias do Lockheed U-2 que pilotava, confirmando a existência de bases de mísseis soviéticos que estavam sendo instaladas em território cubano.
A história hoje identifica o fato como a «Crise dos Mísseis de Cuba». Foram doze dias de pura incerteza e temor, com os ânimos alterados em ambos os lados, e até mesmo um morto, o major Rudolf Anderson.
Informações desclassificadas revelaram décadas depois que, em 27 de outubro daquele ano, horas depois de Anderson ser abatido, Vasili Alexandrovich Arkhipov, segundo no comando do submarino B-59, convenceu o capitão Valentin Savitsky a não disparar um torpedo nuclear contra navios americanos.
Evitou assim o que bem poderia ter se tornado uma guerra nuclear em grande escala. O conflito se encerrou oficialmente no dia seguinte, e das negociações nos meses seguintes surgiram diferentes acordos. Um deles foi o Telefone Vermelho.
Origens do «Telefone Vermelho» entre Moscou e Washington
O nome oficial é «Linha direta Moscou-Washington», estabelecida em 20 de junho de 1963. A Crise dos Mísseis de Cuba havia sido o exemplo perfeito para expor o quão perigoso poderia ser a falta de uma via de comunicação confiável entre as duas potências.
Para colocar em perspectiva, a mensagem original de Nikita Khrushchev levou doze horas para ser recebida e decodificada, tempo no qual uma tragédia poderia ter sido desencadeada. Ironicamente, a primeira versão do Telefone Vermelho não tinha nada de telefone, considerando que uma troca verbal direta poderia ser mal interpretada.
A rota original do circuito de telégrafo (teletipo) unia Washington, Londres, Copenhague, Estocolmo, Helsinque e Moscou, utilizando em seu trecho inicial o TAT-1, o primeiro cabo telefônico transatlântico submarino, apoiado por uma conexão de rádio secundária entre Washington, Tânger e Moscou.
A primeira grande atualização foi acordada em 30 de setembro de 1971, quando foram adicionados dois canais de comunicação via satélite. A conexão por cabo foi reatribuída a um papel secundário, e a conexão de rádio com o elo em Tânger foi eliminada. O processo de atualização levou quase sete anos. (Você pode encontrar uma cópia desclassificada do acordo aqui.)
A próxima fase de atualizações foi realizada durante a administração Reagan. A proposta foi feita em maio de 1983 e se concretizou em julho de 1984, com a adição de suporte para comunicações por fax, que entraram em operação em 1986.
Um detalhe curioso é que algumas fontes mencionam que a instalação do telefone propriamente dito foi feita durante a primeira fase de atualizações, enquanto outras o colocam junto com o suporte de fax em meados dos anos 80 (como, por exemplo, o artigo "The Origins, Use and Development of Hotline Diplomacy", de Haraldur Þór Egilsson).
O termo «Telefone Vermelho» pode ser simbólico nos dias de hoje, estimulado por todo tipo de filmes e romances, mas a linha direta entre as duas capitais continua funcionando, e, para dizer a verdade, não é a única. Índia e Paquistão possuem uma via de comunicação semelhante, enquanto os Estados Unidos também mantêm um elo com a China, algo mais que razoável tendo em vista os tempos que correm.
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Fonte: Departamento de Estado