Presume-se que um aumento na eficiência ao consumir um recurso gere uma pressão menor sobre o mercado, possibilite um uso mais saudável de suas reservas, reduza o consumo e, por extensão, o preço. No entanto, a história nos ensinou que pode acontecer exatamente o contrário, com um acentuado efeito de rebote na demanda. Quando esse “rebote” se torna muito maior do que o calculado, caímos na tempestade do paradoxo de Jevons: o progresso tecnológico não garante uma redução no consumo de recursos.
“Eficiência”. Palavra mágica por excelência. Políticos e economistas a invocam quase diariamente para justificar ou defender mudanças de alto perfil que afetam a vida das pessoas. Mas o que é eficiência? Será que realmente a entendemos? Quão complexa ela pode ser? Se quisermos obter algumas respostas, primeiro precisamos voltar à época em que o economista William Stanley Jevons publicou sua obra “The Coal Question”.
Naquela época, muitos britânicos acreditavam que as reservas de carvão estavam se esgotando e que a solução exigia um salto de eficiência. Em seu texto, Jevons descreve que, após o aparecimento da máquina a vapor de James Watt, o consumo de carvão se tornou mais eficiente.
Por sua vez, isso possibilitou o uso da máquina em um número maior de indústrias, disparando a demanda e o consumo de carvão, mesmo que as aplicações individuais precisassem de uma quantidade menor do combustível. A eficiência exacerbou o problema. Bem-vindos ao Paradoxo de Jevons.
Paradoxo de Jevons: mais com menos?
Por mais que o exemplo original tenha mais de 150 anos, o paradoxo não apenas se mantém firme, mas também encontrou lugar em outras áreas. Vários governos lançaram iniciativas ou leis que exigem a circulação de carros mais eficientes.
A princípio, a demanda de combustível cai e a tendência do preço é de baixa. No entanto, esse preço baixo estimula a ideia de viajar mais, disparando a demanda novamente. Se o rebote chegar a ultrapassar os ganhos obtidos por meio de um aumento na eficiência, estamos dentro do pior do paradoxo.
Um bom exemplo está no padrão CAFE para a “economia de combustível” apresentado pelo governo dos Estados Unidos em 1975 após os efeitos do embargo do petróleo árabe. O saldo do CAFE ainda é positivo, mas o consumo de combustível continua em alta, assim como a distância percorrida, o número de carros, o peso médio e a potência.
Logicamente, o paradoxo de Jevons tem detratores e defensores. Entre os primeiros encontramos os ambientalistas. A eficiência é um de seus objetivos prioritários. Qualquer interpretação negativa é um convite ao conflito, e eles acusam o paradoxo de ser uma desculpa para não fazer nada.
Por outro lado, os partidários do decrescimento veem o paradoxo como uma espécie de Santo Graal que nos obriga a fazer uma análise mais profunda do progresso tecnológico.
E a pergunta final é: o que você pensa? Devemos continuar com nossos esforços para consumir menos, ou respeitar a possibilidade do paradoxo e ser “mais eficientes com a nossa eficiência”?
Fonte: The New Yorker