Cada vez que pensamos em um evento com potencial de provocar uma catástrofe global, tendemos a favorecer coisas como o impacto de um asteroide, uma nova epidemia, conflitos nucleares e até uma invasão extraterrestre, mas há outras possibilidades na lista, e uma delas é o supervulcão. A história indica que em mais de uma oportunidade ficamos muito perto de desaparecer devido a esses titãs adormecidos, e sob as condições corretas, seu poder seria suficiente para apagar a humanidade do mapa…
A erupção do Monte Vesúvio que destruiu Pompeia e Herculano no ano 79 é uma das mais conhecidas no mundo ocidental, um exemplo contundente do poder da natureza e do que acontece quando as populações próximas não estão preparadas. Atualmente, as erupções são rapidamente reportadas, e contamos com sistemas de previsão e prevenção muito mais robustos. No entanto, existe a remota possibilidade de que um dia nem isso seja suficiente. O vulcão não negocia. Uma vez que entra em atividade, o melhor que podemos fazer é sair do seu alcance e resistir ao que vem depois. O que isso significa exatamente? Vejamos...
O perigo dos supervulcões
Os especialistas utilizam o chamado “Índice de Explosividade Vulcânica” para calcular a força de uma erupção. Sua escala vai de 0 a 8 e, em geral, cada ponto adicional representa uma potência dez vezes maior. Apesar do dano causado e da perda de vidas, a erupção do Monte Vesúvio se localiza no nível 5 da escala, e aí podemos encontrar um exemplo muito mais recente, como a erupção do Monte Santa Helena em 1980.
Ambas foram superadas pela erupção do Monte Pinatubo em 1991 (a segunda mais poderosa do século XX), que havia permanecido adormecido por cerca de 500 anos. Ainda assim, para encontrar teóricos assassinos planetários devemos continuar subindo. O caso mais próximo foi o do Monte Tambora, cuja erupção ocorreu no início do século XIX e o coloca no nível 7 do índice. Os especialistas o consideram como a principal razão por trás do chamado “Ano Sem Verão”.
A impressionante quantidade de gás tóxico e cinzas lançados na atmosfera pelo Monte Tambora provocou um declínio global da temperatura, além de falhas nas colheitas em toda a Europa. A crise agrícola se estendeu a todo o continente, os preços dos alimentos dispararam e centenas de milhares de pessoas perderam suas vidas entre a fome e os incidentes posteriores. Dito isso... o que acontece com os supervulcões de nível 8?
Calcula-se que há um desses a cada 50 mil anos em média, e um grande candidato se encontra na Caldera de Yellowstone. Três supererupções de nível 8 (a última ocorrida há 640 mil anos) transformaram a caldera no que é hoje, e se acontecesse uma agora, toda a Costa Oeste dos Estados Unidos deveria ser evacuada. A isso se somaria uma nova crise alimentar e o colapso econômico em nível mundial. Um vulcão assim talvez não nos mate diretamente, mas tudo o que vem depois não é algo que gostaríamos de ver.