A comparação de 2025 e 2026 da NASA mostra uma área esverdeada encolhendo e tons mais azuis se expandindo no Pacífico equatorial ocidental. A agência associa a mudança a uma menor abundância de fitoplâncton, organismos microscópicos que fazem parte da base da cadeia alimentar marinha.

O que a NASA mede no mapa do Pacífico

O mapa usa dados de cor do oceano coletados pelo Ocean Color Instrument, a bordo do satélite PACE. O instrumento observa centenas de comprimentos de onda na faixa visível, no infravermelho próximo e no ultravioleta. A NASA calcula a cor média do oceano e a representa como comprimento de onda visível aparente.

Esse produto registra uma característica da cor observada por satélite. Na comparação divulgada em 15 de outubro de 2026, a NASA descreve a redução de uma área mais esverdeada e a expansão de uma tonalidade mais azul no Pacífico equatorial ocidental, associando o sinal a menos fitoplâncton nessa região.

Como o El Niño pode alterar o sinal de cor

O El Niño é um padrão climático natural ligado a águas mais quentes que o normal em partes do Pacífico equatorial e a mudanças nos ventos e na circulação oceânica. A explicação da NASA para a mudança de cor passa pelos ventos alísios: quando eles enfraquecem, diminui a ressurgência de água fria e rica em nutrientes. Com menos nutrientes chegando à superfície, a abundância de fitoplâncton pode cair nas áreas afetadas.

A NASA relaciona essa redução a possíveis efeitos na cadeia alimentar marinha, que podem levar animais a buscar novas áreas de alimentação. O mapa de cor, por si só, não quantifica essas mudanças na vida marinha.

Cor, temperatura e altura do mar são medidas diferentes

Por que o Pacífico equatorial aparece mais azul nos mapas da NASA

O sinal do PACE representa a cor aparente do oceano. A temperatura da superfície é outra variável: a NASA informa que a água do Pacífico oriental estava cerca de 1,7 °C acima da média de longo prazo, com medições feitas por instrumentos de satélite, boias e navios.

A altura do mar também é observada separadamente. A NASA descreve mapas feitos com altimetria do Sentinel-6, que mede a altura do oceano a cada 10 dias. Em algumas áreas, a superfície do mar estava entre 30 e 40 cm acima do nível de referência; perto da Indonésia e do norte da Austrália, estava entre 15 e 20 cm abaixo do normal. Esses dados de altura não são a medição de cor do PACE.

Como o El Niño pode alterar o sinal de cor

A sequência descrita pela NASA liga ventos alísios mais fracos a uma menor ressurgência de nutrientes e, nas áreas afetadas, a menos fitoplâncton. A mudança associada aparece no produto de cor do PACE como um sinal mais azul.

O que significa a probabilidade de 83% da NOAA

Em sua discussão de 8 de outubro de 2026, a NOAA atribuiu 83% de probabilidade a que o RONI, um índice oceânico relativo do fenômeno El Niño, atingisse pelo menos +2,5 °C na média de três meses de outubro a dezembro de 2026. A agência usa esse limiar para definir um evento de força histórica, acima dos eventos de El Niño registrados desde 1950.

A NOAA também projetou, separadamente, uma probabilidade superior a 83% de condições de El Niño fortes a muito fortes até janeiro-março de 2027. A agência afirmou que efeitos associados ao El Niño se tornam mais prováveis nessas condições, mas não são certos em todas as regiões.